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Bungo, Francisco. Estudo da prevalência da Filariose Bancroftiana e Loana na Vila do Buco-Zau, Norte de Angola. [Mestrado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2002. 72 p.

CAPÍTULO IV

 

RESULTADOS

4.1 – Inquérito sócio-demográfico

4.1.1 – Características gerais da população estudada

O inquérito foi feito em três dos cinco bairros existentes - 1º de Maio, 4 de Fevereiro e Kuka Munu – que contribuíram com 300 habitantes da vila, cuja idade variou entre 5 e 81 anos com uma média de 37,32 anos, (desvio padrão = 17,22) estando 60% da amostra populacional entre 20 e 49 anos; 40% eram do sexo masculino, e 60%, do sexo feminino (Tabela 4).

 

Tabela 4: Características sócio-demográficas dos participantes

Covariáveis

População estudada

n = 300

%

Bairro

   
 

1º de Maio

111

37,00

 

4 de Fevereiro

149

49,67

 

Kuka Munu

40

13,33

Sexo

   
 

Masculino

120

40,00

 

Feminino

180

60,00

Faixa etária

   
 

5 – 9

6

2,00

 

10 – 14

15

5,00

 

15 – 19

26

8,67

 

20 – 29

60

20,00

 

30 – 39

65

21,67

 

40 – 49

55

18,33

 

50 – 59

35

11,67

 

≥ 60

38

12,66

Escolaridade

   
 

Analfabeto

174

58,00

 

Pré-escolar

6

2,00

 

1 a 4 anos

51

17,00

 

5 a 6 anos

40

13,33

 

7 a 8 anos

14

4,67

 

9 a 12 anos

15

5,00

Ocupação *

   
 

Camponês

183

61,00

 

Pré-escolar

6

2,00

 

Estudante

25

8,33

 

Servidor Público

42

14,00

 

Outra atividade

44

14,67

Trabalhador remunerável

86

 
 

Servidor Público

44

14,67

 

Outra atividade

42

14,00

Chefe de família

   
 

Sim

96

32,00

 

Não

204

68,00

Tempo de Residência

   
 

1 a 10 anos

120

40,00

 

11 a 20 anos

98

32,67

 

≥ 21 anos

82

27,33

Viveu fora do Município

   
 

Sim

156

52,00

 

Não

144

48,00

(*) Não foram incluídos os pré-escolares (são seis indivíduos).

 

Particularizando por bairro, observamos que o 4 de Fevereiro contribuiu em 49,67% do total de participantes sendo 40,27% do sexo masculino e 59,73%, feminino com idade variando de 10 a 81 anos. O bairro 1º de Maio representou 37% da amostra com 36,94% do sexo masculino e 63,06% de mulheres com idade entre 5 a 73 anos. O bairro Kuka Munu participou com 13,33% do total de indivíduos pesquisados dos quais 47,50% de homens e 52,50% de mulheres e cuja idade variou de 15 a 75 anos.

Nossa distribuição por faixa etária na amostra estudada é um pouco divergente da população real. Isso talvez se deve ao fato dos bairros elegidos para o estudo estarem compostos por uma população mais velha ou talvez seja produto do sorteio dos indivíduos nos bairros, embora a aplicação da metodologia para seleção da amostragem foi meticulosa.

A maior parte dos pesquisados (60%) reside na localidade há mais de dez anos e 83,14% são originários do próprio Município. A amostra populacional mostrou também que 52% dos habitantes já viveram fora do Município num período de um a 48 anos, com uma média de 13,85 (desvio padrão = 10,06). Em relação a cor da pele, todos foram negros.

Quanto ao modo de inserção no sistema produtivo, 61% são camponeses dos quais 76,50% são mulheres, 14% servidores públicos, 8,33% de estudantes e 14,67% se dedicam a outras atividades. Somente 28,67% tinham trabalho remunerável, cujo salário mensal variou de 100.00 a 4800.00 Kwanzas (um dólar americano era cambiado na altura da pesquisa a 38 Kwanzas), sendo que 95% desses trabalhadores ganhavam menos de cinqüenta dólares americanos mensalmente. As mulheres também se dedicam às atividades do lar e os homens adultos à caça, pequenas plantações de café e desflorestamento das áreas que posteriormente as mulheres cultivariam para a subsistência das famílias. Do total de chefes de família (96), observou-se que 83,33% dos indivíduos pertenceram ao sexo masculino.

Em relação ao nível de instrução, 58% foram analfabeto, seguido de 17% com 1 a 4 anos de escolaridade.

Os três bairros não tinham sistema de drenagem das águas o que provocava estagnação das águas pluviais ao redor das moradias propiciando formação de charcos e pântanos, e conseqüentemente criadores de reprodução dos mosquitos.

Questionando a proteção individual contra o vetor, apenas um indivíduo referiu o uso freqüente de inseticidas no domicílio antes de dormir, e todos não usavam proteção contra os mosquitos como mosquiteiros ou repelentes.

4.1.2 – Características gerais das condições de moradia

Tipo de Construção

Dentre as 257 casas inquiridas, 78,60% eram construídas de adobe; 19,46%, de madeira e 1,94%, de blocos de cimento. Em 254 (98,83%) o material do teto era o zinco; 2 (0,78%), de lozalite e uma casa era coberta de palha. Todas as residências não tinham forros e não apresentavam proteção contra os mosquitos.

Ocupação dos domicílios

Apurou-se que o número de cômodos em cada domicílio variou de um a cinco (desvio padrão = 0,87), com maior proporção (43%) apresentando dois cômodos. As moradias de um a dois cômodos foram 170 (66,15%) e 87 (33,85%) residências tinham três a cinco cômodos. O número de moradores por domicílio variou de um a 26 com uma média de 7,24 (desvio padrão = 3,56), sendo que 115 (38,33%) indivíduos habitavam moradias composta por 4 a 6 pessoas.

 

 

Tabela 4: Características sócio-demográficas dos participantes (Continuação)

Covariáveis

População estudada

n

%

Condições de Moradia

   
 

Nº de cômodos/Moradia

257

 
 

1 a 2

170

66,15

 

3 a 5

87

33,85

 

Nº de pessoas/Moradia

300

 
 

1 a 3

27

9,00

 

4 a 6

115

38,33

 

7 a 9

100

33,33

 

≥10

58

19,33

 

Tipo de construção

257

 
 

Adobe

202

78,60

 

Madeira

50

19,46

 

Bloco de cimento

5

1,94

Tipo de cobertura

257

Chapas de zinco

254

98,83

Chapas de lozalite

2

0,78

Palha

1

0,39

Moradia com Latrina

257

 

Sim

242

94,16

 

Não

15

5,84

 

Destino do lixo

   
 

Céu aberto

250

97,27

 

Serviço Municipal

3

1,17

 

Aterro sanitário

4

1,56

Fonte de abastecimento de água

   
 

Rio

300

100,00

 

Encantada

-

-

 

Poço

-

-

Proteção contra o vetor

300

 
 

Uso de inseticidas/repelentes

   
 

Sim

1

0,33

 

Não

299

99,67

 

Uso de mosquiteiro

   
 

Sim

-

-

 

Não

300

100,00

 

 

Instalações sanitárias

Em relação às instalações sanitárias, constatou-se que 242 (94,16%) domicílios apresentavam fossa rudimentar, e 15 (5,84%) não contavam com nenhum tipo de instalação, referindo que os seus moradores usavam as instalações sanitárias dos vizinhos.

Fonte de abastecimento de água

Em todos os domicílios, a água para consumo doméstico era proveniente do rio Luáli e a água para beber era consumida sem nenhum tipo de tratamento intradomiciliar.

O armazenamento domiciliar da água era feito em baldes, bacias ou panelas, e em alguns destes utensílios não tinham tampas para cobri-los.

Destino dado ao lixo

Em 250 (97,27%) domicílios, o lixo era deitado atrás das casas e ao céu aberto; quatro (1,56%) eram coletado pelo Serviço de Limpeza Municipal e três (1,17%) tinham aterro sanitário.

4.2 – Resultados sobre W. bancrofti

4.2.1 - Prevalência de microfilaremia segundo características individuais

A prevalência da microfilaremia bancroftiana na amostra populacional foi de 21,33% (64), cuja taxa de prevalência, estimada em 2,13 por cada 10 habitantes.

Houve uma prevalência discretamente mais elevada entre os homens (24,17%) do que entre os indivíduos do sexo feminino (19,44%) (Tabela 5).

 

 

Em relação à idade, observa-se prevalência mais alta na faixa etária de15 a 19 anos, (53,85%), seguida do grupo de 30 a 39 anos com 29,23%. O grupo de menores de dez anos, a prevalência foi de 16,67% enquanto a faixa etária de 50 a 59 anos apresentou uma prevalência de 8,57%. Não houve casos nos maiores de 59 anos. Ao observar o gráfico 1, nota-se que a prevalência aumenta com a idade com pico na faixa etária dos 15 aos 19 anos seguida da sua diminuição com discreta estabilização entre os 20 e 39 anos.

 

Tabela 5: Prevalências de microfilaremia bancroftiana (n = 300) por variáveis demográficas e sócio - econômicas, razão de prevalência (RP), odds ratios não ajustados (OR), intervalos de confiança (IC a 95%) e teste de significância. Buco-Zau, 2001.

             

Covariáveis

Casos

(64)

%

Total

RP

OR (IC 95%)

Valor de p

             

Bairro

           
 

1º de Maio

24

21,62

111

1,08

1,10 (0,42 – 3,14)

0,9916 **

 

4 de Fevereiro

32

21,47

149

1,07

1,09 (0,44 – 3,02)

0,9880 **

 

Kuka Munu

8

20,00

4

1,00

1,00

 

Sexo

           
 

Masculino

29

24,17

120

1,24

1,32 (0,72 – 2,39)

0,3280

 

Feminino

35

19,44

180

1,00

1,00

 

Faixa etária

           
 

5 – 29

36

33,64

107

2,53

2,99 (1,63 – 5,49)

0,0001

 

≥ 30

28

14,51

193

1,00

1,00

 

Sabe ler e escrever *

           
 

Não

41

23,56

174

1,29

1,68 (0,92 – 3,14)

0,0740

 

Sim

22

18,33

120

1,00

1,00

 

Ocupação*

           
 

Camponês

42

22,95

183

1,61

1,79 (0,68 – 5,53)

0,3041**

 

Estudante

7

28,00

25

1,96

2,33(0,57 – 9,67)

0,1463***

 

Servidor Público

6

14,29

42

1,00

1,00

 
 

Outra atividade

8

18,18

44

1,27

1,33 (0,36 – 5,15)

0,8437**

Tempo de Residência

           
 

1 a 5 anos

4

10,52

38

1,00

1,00

 
 

6 anos

60

22,90

262

2,17

2,52 (0,85 – 10,16)

0,1264**

Viveu fora do Município

           
 

Não

35

24,31

144

1,31

1,41(0,78 – 2,55)

0,2272

 

Sim

29

18,60

156

1,00

1,00

 

Nº de cômodos/Moradia

           
 

1 – 2

52

27,51

189

2,54

3,13 (1,54 – 6,77)

0,0006

 

3 - 5

12

10,81

111

1,00

1,00

 

Nº de pessoas/Moradia

         

0,0061****

 

1 – 3

-

-

27

-

-

 
 

4 – 6

20

17,39

115

     
 

7 – 9

28

28,00

100

     
 

≥ 10

16

27,56

58

     

Tipo de construção

         

0,3913 *****

 

Adobe

54

22,50

240

1,24

   
 

Madeira

10

18,18

55

1,00

   
 

Bloco de cimento

-

 

5

-

   

Latrina

           
 

Sim

60

21,28

282

1,00

1,00

 
 

Não

4

22,22

18

1,04

0,95 (0,28 – 4,09)

0,5597***

(*) Não se incluiu os seis pré-escolares (existe um caso nesse grupo).

(**) p valor com correção de Yates.

(***) p valor com correção de Fisher.

(****) p valor de tendência linear (qui-quadrado = 12,39 com 3 graus de liberdade)

(*****) p valor de tendência linear (qui-quadrado = 1,88 com 2 graus de liberdade)

 

Analisando ainda a relação da idade com a microfilaremia bancroftiana e, usando a tabela de contingência com a idade categorizada em apenas dois grupos, notou-se que a razão de prevalência no grupo entre 5 a 29 anos foi de 2,53 (OR = 2,99; 95% IC: 1,63 – 5,49; p=0,0001) em relação à faixa etária igual ou superior a 30 anos (Tabela 5).

Quanto ao grau de instrução, destacou-se uma maior prevalência entre os indivíduos analfabetos (23,56%). Quando se comparou este grupo com aquele que sabia ler e sua relação com a microfilaremia, observou-se uma razão de prevalência maior nos analfabetos, 1,29, com OR = 1,68 (95% IC; 0,92 – 3,14; p=0,0740), cuja associação não foi estatisticamente significativa.

Enfocando a ocupação dos indivíduos (a atividade que exerce), constatou-se que os estudantes, seguidos de camponeses, apresentaram prevalências de microfilaremia bancroftiana mais altas (28,00%) e 22,95%, respectivamente. Quando analisados por tabela de contingência e considerando como grupo de referência o de servidores público, notou-se que os estudantes apresentaram um OR de 2,33 de microfilaremia (95% IC: 0,57 – 9,67; p=0,1463).

Avaliando a prevalência de microfilaremia nos indivíduos quanto ao tempo de permanência na vila, notou-se que, havia uma RP maior (2,17) nos indivíduos com mais de cinco anos (OR= 2,52; 95% IC: 0,85 – 10,16; p=0,1264).

Relativamente à condição dos indivíduos terem vivido ou não fora do Município e sua relação com a microfilaremia bancroftiana, observou-se uma prevalência discretamente maior naqueles que sempre viveram no Município com 24,31% e 18,60% no outro grupo havendo uma RP de 1,31 (OR=1,41; 95% IC: 0,78 – 2,55; p=0,2272).

Verificou-se que na amostra populacional, dos 96 indivíduos chefes de família, 18 (18,75%) tinham microfilaremia bancroftiana positiva e a razão de prevalência entre o grupo de chefe de família e o que não era foi de 1,20 (OR=1,26; 95% IC: 0,66 – 2,47; p=0,4536). Não se observou associação entre a variável ser ou não chefe de família e microfilaremia bancroftiana.

Estatisticamente, excetuando as diferenças notadas nas prevalências de faixa etária as diversas variáveis referidas não foram estatisticamente significativas (p>0,05).

4.2.2 - Prevalência de microfilaremia nos indivíduos segundo condições de moradia

Quando se distribuiu a presença de microfilaremia bancroftiana por bairro, observou-se prevalências quase iguais nos três bairros pesquisados sendo 21,62% no 1º de Maio, 21,47% no 4 de Fevereiro e 20%, Kuka Munu.

Analisando o tipo de construção de domicílio, os 240 indivíduos que moravam nas casas de adobe apresentaram 22,50% de prevalência enquanto que os 55 residindo em casas de construção de madeira tiveram 18,18%. Não houve casos nas cinco pessoas que viviam em moradias de blocos de cimento. Em relação ao tipo de cobertura apenas se diagnosticou casos nos moradores com casas de teto de zinco. A prevalência segundo os indivíduos terem instalações sanitárias foi de 21,28% e, 22,22% naqueles sem instalações sanitárias.

 

Tabela 5: Prevalências de microfilaremia bancroftiana (n = 300) por variáveis demográficas e sócio - econômicas, razão de prevalência (RP), odds ratios não ajustados (OR), intervalos de confiança (IC a 95%) e teste de significância. Buco-Zau, 2001 (continuação).

Covariáveis

Casos

(64)

%

Total

RP

OR (IC 95%)

Valor de p

Destino do lixo

           
 

Céu aberto

64

21,84

293

     
 

Aterro sanitário

-

-

3

     
 

Serviço Municipal

-

-

4

     

Chefe da família

           
 

Sim

18

18,75

96

1,00

1,00

 
 

Não

46

22,55

204

1,20

1,26 (0,66 – 2,47)

0,4536

 

Quanto ao destino do lixo, os de microfilaremia somente foram observados nos indivíduos que deitavam o lixo atrás das casas e ao céu aberto. A sua prevalência foi de 21,84%.

O estudo estatístico revelou não haver diferenças significativas (p>0,05) na prevalência da microfilaremia bancroftiana encontrada em relação às diferentes variáveis supracitadas.

Avaliando-se a forma de ocupação dos domicílios, verifica-se que a prevalência foi maior nos indivíduos que habitavam em casas com mais de seis pessoas. Os grupos residindo em moradias com 7 a 9 e mais de nove apresentaram prevalências quase iguais, 28% e 27,56%, respectivamente. Em relação ao número de cômodos por moradia, a prevalência nos indivíduos que moravam numa residência com um a dois cômodos foi de 27,51%, e naqueles com mais de dois moradores, foi de 10,81% tendo uma RP de 2,54 (OR = 3,13; 95% IC: 1,54 – 6,77; p=0,0006). As diferenças observadas na prevalência da microfilarêmia entre o número de pessoas por moradia e o número de cômodos por residência, foram estatisticamente significativas (p<0,05).

 

4.2.3 - Prevalência de microfilaremia nos indivíduos segundo a hora e ordem da coleta do exame laboratorial

 

Tabela 6: Distribuição da microfilaremia bancroftiana e loana segundo a ordem da feitura do exame.

Ordem e período do dia da coleta

Total

amostras

Microfilaremia

Total do nº de casos

%

Bancrofti

Loa

Nº lâminas

positivas

%

Nº lâminas

positivas

%

1º Exame à noite

300

19

6,30

11

3,67

20

6,67

2º Exame

à noite

252

36

14,29

-

-

36

14,29

1º Exame de dia

300

18

6,00

10

3,33

19

6,33

2º Exame de dia

172

-

-

58

33,72

58

33,72

Total

1024

73

7,13

79

7,71

133

12,99

 

Das 73 lâminas positivas de microfilaremia bancroftiana, em 75,34% (55), o sangue foi coletado de noite, no período das 22 a uma hora, e 24,66% (18) durante o dia no horário das 11 as 13 horas. Verificou-se que 18 indivíduos apresentaram positividade de W. bancrofti em ambos períodos. Foram examinadas 1024 lâminas durante toda a pesquisa. Quando se analisou a relação da ordem de coleta da amostra para W. bancrofti verificou-se maior positividade no 2º exame (14,29%) quando comparado com aqueles que fizeram o 1º exame (6,30%) (Tabela 6). Se o exame laboratorial se processasse em apenas uma amostra, no horário das 22 à 1 hora, a nossa prevalência teria sido somente de 6,30%.

 

Tabela 7: Periodicidade da W. bancrofti no sangue periférico da população de estudo

Horário da coleta

do exame (horas)

Nº exames

positivos

%

Total de

exames

11 – 13

18

3,81

472

22 – 1

55

9,96

552

Total

73

7,13

1024

RP dos exames coletados à noite é de 2,61 (OR = 2,79;

95% IC: 1,58 – 5,13; p 0,0001)

 

Ao estudar a periodicidade da microfilária W. bancrofti no sangue periférico observou-se uma prevalência nos indivíduos pesquisados de 9,96% durante a noite e 3,81%, de dia, com uma RP de 2,61 (OR = 2,79; 95% IC: 1,58– 5,13; p=0,0001).

 

4.2.4 - Prevalência das manifestações clínicas características da filariose bancroftiana

As manifestações clínicas (Tabela 8) foram observadas em 27 indivíduos (9%) sendo 19 (15,83%) no sexo masculino e, 8 (4,44%) em feminino com uma RP de 3,56 (OR = 4,04; 95% IC: 1,61 – 11,03; p=0,015). Nos homens, foi mais prevalente o hidrocele com 13 casos (10,83%) e nas mulheres, o linfedema com 5 (2,78%). Quanto à idade, as manifestações clínicas foram observadas nos homens com mais de 14 anos, e, em maiores de 29 anos no sexo feminino. Dos 64 indivíduos com microfilaremia positiva, 10 (15,63%) apresentaram manifestações clínicas sugestivas de filariose bancroftiana.

 

Tabela 8: Prevalências das manifestações clínicas da filariose bancroftiana segundo o sexo, Buco-Zau, 2001.

Covariáveis

M

%

F

%

Total

% Total

Adenolinfagite

4

3,33

-

-

4

1,33

Hidrocele

13

10,83

-

-

13

10,83

Linfedema/Elefantíase

2

1,67

8

4,44

10

3,33

Total

19

15,83

8

4,44

27

9,00

 

Os quatro casos de adenolinfangite (manifestação clínica aguda) foram detectados no sexo masculino com a idade de 15 a 29 anos, e todos tiveram presença de microfilaremia. O hidrocele acometeu homens de 15 a 49 anos. A literatura consultada relata haver maior probabilidade de encontrar microfilaremia em pessoas com manifestações clínicas agudas que naquelas que sofrem manifestações crônicas da doença. Quando se relacionou os indivíduos com hidrocele e sua relação com a microfilaremia observou-se uma OR de 3,13 (95% IC: 0,78 – 11,98; p=0,0583). Havendo dificuldades em delimitar clinicamente a fronteira entre linfedema e elefantíase, analisou-se os seus dados em conjunto, já que são consideradas etapas diferentes de uma mesma entidade clínica (OMS, 1992). Assim, para ambos, foram observados 10 casos (3,33%) em indivíduos com idade entre 34 a 75, todos de localização nos membros inferiores sendo mais prevalentes no sexo feminino com 4,44% (8) e, 1,67% (2) no sexo masculino com uma RP para o sexo feminino de 2,66. Todos os casos eram negativos ao exame laboratorial.

4.2.5 - Prevalência da doença filarial bancroftiana

A prevalência da doença filarial bancroftiana foi de 27% (81 indivíduos apresentaram positividade de W. bancrofti e/ou presença de alguma manifestação clínica da doença no exame físico). Destes, a prevalência foi discretamente maior no bairro 1 º de Maio com 27,93% seguida do 4 de Fevereiro com 26,85%.

Quanto ao sexo, observou 31,67% (38) nos homens, e 23,89% (43) nas mulheres com uma RP de 1,33 (OR = 1,48; 95% IC: 0,85 – 2,55; p=0,1371).

Não houve associação entre a doença filarial bancroftiana quando se relacionou com o local de residência e o sexo dos indivíduos (Tabela 9).

Em relação à idade, notou-se uma prevalência mais alta na faixa etária de 15 a 49 anos com 33,45% (69), seguida de 23,81% (5) no grupo de 5 a 14 anos. Em tabela de contingência, tendo o grupo de maiores de 49 anos como de referência, observou-se uma RP de 3,49 (OR = 4,75; 95% IC: 2,02 – 12,87; p=0,0001) na faixa etária dos 15 a 49 anos.

 

Tabela 9: Prevalências da doença filarial bancroftiana (n = 300) por variáveis demográficas e sócio - econômicas, razão de prevalência (RP), odds ratios não ajustados (OR), intervalos de confiança (IC a 95%) e teste de significância. Buco-Zau, 2001.

Covariáveis

Casos

(81)

%

Total

RP

OR (IC 95%)

Valor de p

Bairro

           
 

1º de Maio

31

27,93

111

1,12

1,16 (0,48 – 2,99)

0,8810**

 

4 de Fevereiro

40

26,85

149

1,07

1,10 (0,47 – 2,76)

0,9735**

 

Kuka Munu

10

25,00

40

1,00

1,00

 

Sexo

           
 

Masculino

38

31,67

120

1,33

1,48 (0,85 – 2,55)

0,1371

 

Feminino

43

23,89

180

1,00

1,00

 

Faixa etária

           
 

5 – 14 anos

5

23,81

21

2,48

2,95 (0,64 – 12,33)

0,0929***

 

15 – 49 anos

69

33,45

206

3,49

4,75 (2,02 – 12,87)

0,0001**

 

≥ 50 anos

7

9,59

73

1,00

1,00

 

Escolaridade *

           
 

Saber ler e escrever

           
   

Sim

32

26,67

120

1,00

1,00

 
   

Não

48

27,59

174

1,03

1,05 (0,60 – 1,84)

0,8617

Ocupação *

           
 

Camponês

51

27,87

183

1,17

1,24 (0,54 – 3,03)

0,5925

 

Estudante

7

28,00

25

1,18

1,21 (0,34 – 4,37)

0,9275**

 

Servidor Público

10

23,81

42

1,00

1,00

 
 

Outra atividade

12

27,27

44

1,14

1,20 (0,41 – 3,59)

0,7129

(*) Não foram incluídos os seis pré-escolares (este grupo tem 1 caso).

(**) p valor com correção de Yates.

(***) p valor com correção de Fisher.

 

4.3 – Resultados sobre L. loa

4.3.1 - Prevalência de microfilaremia segundo características individuais

A prevalência da microfilaremia loana nos indivíduos estudados foi de 22,67% (68), cuja taxa de prevalência, estimada em 2,27 por cada 10 (Tabela 10).

Tabela 10: Prevalências de microfilaremia loana (n = 300) por variáveis demográficas e sócio - econômicas, razão de prevalência (RP), odds ratios não ajustados (OR), intervalos de confiança (IC a 95%) e teste de significância. Buco-Zau, 2001.

Covariáveis

Casos

(68)

%

Total

RP

OR (IC 95%)

Valor de p

Bairro

           
 

1º de Maio

26

23,42

111

1,09

1,12 (0,59 – 2,10)

0,7091

 

4 de Fevereiro

32

21,47

149

1,00

1,00

 
 

Kuka Munu

10

25,00

40

1,16

1,22 (0,48 – 2,90)

0,7935**

Sexo

           
 

Masculino

13

10,83

120

1,00

1,00

 
 

Feminino

55

30,56

180

2,82

3,62 (1,82 – 7,60)

0,0000

Faixa etária

           
 

5 – 19

4

8,51

47

1,00

1,00

 
 

20 – 49

50

27,78

180

3,26

4,13 (1,39 – 16,60)

0,0101**

 

≥ 50

14

19,18

73

2,25

2,55 (0,73 – 11,31)

0,1816**

Sabe ler e escrever *

           
 

Não

59

33,91

174

4,52

6,33 (2,92 – 15,14)

0,0000**

 

Sim

9

7,50

120

1,00

1,00

 

Ocupação*

           
 

Ser camponês

           
   

Sim

58

31,69

183

3,52

4,69 (2,22 – 10,77)

0,0000**

   

Não

10

9,01

111

1,00

1,00

 

Tempo de Residência

           
 

1 a 5 anos

5

13,16

38

1,00

1,00

 
 

≥ 6 anos

63

24,01

262

1,82

2,09 (0,76 – 7,13)

0,1967**

Viveu fora do Município

           
 

Não

37

26,69

144

1,34

1,29 (0,78 – 2,49)

0,2288

 

Sim

31

19,87

156

1,00

1,00

 

Nº de cômodos/Moradia

           
 

1 – 2

52

27,51

189

1,91

2,25 (1,18 – 4,48)

0,0088

 

3 - 5

16

14,41

111

1,00

1,00

 

Nº de pessoas/Moradia

           
 

1 – 6

28

19,72

142

1,00

1,00

 
 

≥ 7

40

25,32

158

1,28

1,38 (0,77 – 2,49)

0,2475

Tipo de construção

         

0,0003****

 

Adobe

66

27,50

240

7,55

   
 

Madeira

2

3,64

55

1,00

   
 

Bloco de cimento

-

 

5

-

   

Latrina

           
 

Sim

63

22,34

282

1,00

1,00

 
 

Não

5

27,78

18

1,24

0,95 (0,28 – 4,09)

0,5597***

(*) Não se incluiu os seis pré-escolares (não existe nenhum caso nesse grupo).

(**) p valor com correção de Yates.

(***) p valor com correção de Fisher.

(****) p valor de tendência linear (qui-quadrado = 12,39 com 3 graus de liberdade)

 

Ao relacionar o sexo e a presença de microfilaremia loana nos participantes ao estudado, observou-se que o sexo feminino apresentou maior prevalência (30,56%) com uma RP de 2,82 (OR = 3,62; 95% IC: 1,82 – 7,60; p=0,0000), e 10,83% no sexo masculino.

Quanto à idade, a microfilaremia foi observada nos indivíduos com mais de 14 anos. A prevalência mais alta foi na faixa etária dos 20 a 49 anos, (27,78%), seguida do grupo maior de 49 anos com 19,18%. Quando se analisou na tabela de contingência, tendo o grupo de referência os menores de 20 anos, a RP no grupo de 20 a 49 anos foi de 3,26 (OR = 4,13; 95% IC: 1,39 – 16,60; p=0,0101).

A relação da prevalência de microfilaremia com ao grau de instrução foi maior nos analfabetos com 33,91%, e 7,50% naqueles que sabiam ler e escrever. Na tabela de contingência, e, excluindo o grupo de pré-escolares, notou-se uma associação positiva com a microfilaremia. O grupo de analfabetos teve uma RP de 4,52 (OR=6,33; 95% IC: 2,92 – 15,14; p=0,0000).

Quanto à ocupação dos indivíduos, constatou-se que os camponeses apresentaram maior prevalência com 31,69% (58). Ao analisar numa tabela de contingência a relação da prevalência de microfilaremia com a atividade que exerce o indivíduo, observou-se que as pessoas que são camponesas tiveram uma RP de 3,52 (OR = 4,69; 95% IC: 2,22 – 10,77; p=0,0000).

Relacionando a microfilaremia com o tempo de permanência dos indivíduos na vila, notou-se uma prevalência maior (24,01%) nos habitantes residindo há mais de cinco anos na área de estudo enquanto que os indivíduos com tempo inferior apresentaram 13,16%. Essa diferença não foi estatisticamente significativa.

Houve diferenças de prevalências em relação à condição do indivíduo ter vivido ou não fora do Município, tendo sido maior nestes com 26,69%, e 19,87% no outro grupo.

No que tange a condição de ser chefe de família e sua relação com a microfilaremia loana, notou-se uma prevalência maior nos indivíduos que não são chefes de família de 25,90% com uma RP de 1,66 (OR = 1,90; 95% IC: 0,98 – 3,85; p=0,0456).

4.3.2 - Prevalência de microfilaremia nos indivíduos segundo condições de moradia

Quando se distribuiu a microfilaremia positiva por bairro, observou-se maior prevalência no bairro Kuka Munu (25%), seguido do 1º Maio (23,42%) (Tabela 10). Na análise pela tabela de contingência e tendo o 4 de Fevereiro como de referência, o bairro Kuka Munu teve uma RP de 1,16 (OR = 1,22; 95% IC: 0,48 – 2,90; p=0,7935) e o 1º de Maio a RP foi de 1,09 (OR = 1,12; 95% IC: 0,59 – 2,10; p=0,7091). Não houve associação entre a microfilaremia loana e o local de residência do indivíduo.

Analisando o tipo de construção do domicílio, os casos só se verificaram nos indivíduos residentes em casas de adobe e de madeira, com prevalências de 27,50% e 3,64%, respectivamente (p=0,0003).

Em relação ao tipo de cobertura apenas se verificou nas pessoas que moram nas moradias com teto de zinco. A prevalência segundo os indivíduos terem ou não instalações sanitárias foi de 22,34% e, 27,78%, respectivamente, com uma RP de 1,24 (OR = 0,95: 95% IC: 0,28 – 4,09; p=0,5597) naqueles sem instalações sanitárias.

Quanto ao destino do lixo, os casos somente foram observados nos indivíduos que deitavam o lixo atrás das casas e ao céu aberto com uma prevalência de 23,21%.

Avaliando-se a forma de ocupação dos domicílios, verificou-se uma prevalência relativamente maior (25,32%) no grupo de maiores de seis pessoas por moradia. Na tabela de contingência, e tendo como referência o grupo de menores de sete residentes por domicílio, a RP foi de 1,28 (OR = 1,38; 95% IC: 0,77 – 2,49; p=0,2475). Em relação ao número de cômodos por moradia, a prevalência foi maior naqueles que moravam em residências com um a dois cômodos, 27,51%, e naqueles com mais de dois, 14,41 (Tabela 10). A associação positiva verificada entre a microfilaremia e nº de cômodos por moradia foi estatisticamente significativa.

4.3.3 - Prevalência de microfilaremia nos indivíduos segundo a hora e ordem da coleta do exame laboratorial

Das 79 lâminas positivas de microfilaremia loana, em 86,08% (68) (Tabela 6) o sangue foi coletado de dia, no período das 11 às 13 horas, e 13,92% (11) durante a noite no horário das 22 a 1 hora. Verificou-se que 11 indivíduos apresentaram positividade de L. loa em ambos períodos. Ao analisar o total das lâminas examinadas durante a pesquisa por ordem de coleta da amostra para L. loa verificou-se maior positividade no 2º exame (33,72%) quando comparado com aqueles que fizeram o 1º exame (3,33%). Se o exame laboratorial se processasse em apenas uma amostra, no horário das 11 às 13 horas, a prevalência teria sido somente de 3,33%.

Quanto à periodicidade da microfilária L. loa no sangue periférico observou-se uma prevalência de 14,41% durante o dia e 2,00%, à noite, com uma RP de 7,71 (OR = 7,23; 95% IC: 3,74– 15,32; p=0,0000).

 

Tabela 11: Periodicidade da L. loa no sangue periférico da população de estudo

Horário da coleta

do exame (horas)

Nº exames

positivos

%

Total de

exames

11 – 13

68

14,41

472

22 – 1

11

2,00

552

Total

79

7,71

1024

 

 

 

 

 

RP dos exames coletados à noite é de 7,71 (OR = 7,23; 95% IC: 3,74 – 15,32; p=0,0000)

 

4.3.4 - Prevalência das manifestações clínicas características da filariose loana

As manifestações clínicas foram observadas em 20 indivíduos (6,67%) sendo 19 (10,56%) no sexo feminino e, apenas um caso (0,83%) no masculino. A RP das mulheres foi 12,72 vezes mais que dos homens. Dos 68 indivíduos com microfilaremia positiva, 5 (7,35%) apresentaram clínica sugestiva de filariose loana. O "edema" de Calabar, observado em 13 pessoas (4,33%), todos do sexo feminino, foi a manifestação clínica mais prevalente na filariose loana. Foram visualizados sete (2,33%) indivíduos com macrofilária na conjuntiva ocular sendo seis no sexo feminino e um, no masculino.

Tabela12: Distribuição do edema de calabar e presença da macrofilária na conjuntiva ocular da filariose Loa loa segundo o sexo.

Sexo

Manifestações clínicas

Total

Presente

%

Masculino

1*

0,83

120

Feminino

19

10,56

180

Total

20

6,67

300

 

 

 

 


` RP do sexo feminino = 12,72

* Edema de calabar

 

Quanto à idade, as manifestações clínicas foram observadas em maiores de 14 anos no sexo feminino. O único caso do sexo masculino tinha 53 anos.

4.3.5 - Prevalência da doença filarial loana

A prevalência da doença filarial loana foi de 27,67% (83 indivíduos apresentaram positividade de L. loa e/ou presença de alguma manifestação clínica da doença no exame físico). Destes, a maior prevalência foi no bairro Kuka Munu com 30% (12) seguido do 1º de Maio, 28,83% (32). Não houve associação entre a doença filarial loana e o local de residência dos indivíduos (Tabela 13).

 

Tabela 13: Prevalências da doença filarial loana (n = 300) por variáveis demográficas e sócio - econômicas, razão de prevalência (RP), odds ratios não ajustados (OR), intervalos de confiança (IC a 95%) e teste de significância. Buco-Zau, 2001.

Covariáveis

Casos

(83)

%

Total

RP

OR (IC 95%)

Valor de p

Bairro

           
 

1º de Maio

32

28,83

111

1,10

1,14 (0,63 – 2,05)

0,6346

 

4 de Fevereiro

39

26,17

149

1,00

1,00

 

Kuka Munu

12

30,00

40

1,15

1,21 (0,51 – 2,74)

0,6284

Sexo

           
 

Masculino

14

11,67

120

1,00

1,00

 
 

Feminino

69

38,33

180

3,29

4,71 (2,43 – 9,58)

0,0000

Faixa etária

           
 

5 – 14 anos

4

19,05

21

1,00

1,00

 
 

15 – 49 anos

59

28,64

206

1,50

1,71 (0,53 – 7,25)

0,4968**

 

≥ 50 anos

20

27,40

73

1,44

1,60 (0,44– 7,31)

0,6245**

Escolaridade *

           
 

Saber ler e escrever

           
   

Sim

10

8,33

120

1,00

1,00

 
   

Não

73

41,95

174

5,03

7,95 (3,80 – 18,12)

0,0000

Ocupação *

         

0,0000***

 

Camponês

73

39,89

183

8,38

   
 

Estudante

2

8,00

25

1,68

   
 

Servidor Público

2

4,76

42

1,00

   
 

Outra atividade

6

13,64

44

2,87

   

(*) Não foram incluídos os seis pré-escolares (este grupo não tem nenhum caso).

(**) p valor com correção de Yates.

(***) p valor de tendência linear (qui-quadrado = 33,37 com 3 graus de liberdade).

 

Quanto ao sexo, observou 38,33% (69) nas mulheres, e 11,67% (14) nos homens com uma RP de 3,29 (OR = 4,71; 95% IC: 2,43 – 9,58; p=0,0000). Observou-se uma associação estatisticamente significativa entre o sexo dos indivíduos e a doença filarial loana.

Em relação à idade, notou-se uma prevalência mais alta na faixa etária de 15 a 49 anos com 28,64% (59), seguida de 27,40% (20) no grupo de maiores de 49 anos (Tabela 13). Quando analisado em tabela de contingência, tendo o grupo de menores de 15 anos como de referência, a faixa etária dos 15 a 49 anos teve uma RP de 1,50 (OR = 1,71; 95% IC: 0,53 – 7,25; p=0,4968). Nos maiores de 49 anos a RP foi de 1,44 (OR = 1,60; 95% IC: 0,44– 7,31; p=0,6245).

Quando se relacionou a doença filarial loana com a condição de saber ler e escrever, apresentou maior prevalência (41,95%) nos indivíduos analfabetos com uma RP de 5,03 (OR = 6,70; 95% IC: 3,20 – 15,28; p=0,0000). Enfocando a ocupação dos indivíduos, os camponeses apresentaram a maior prevalência, 39,89% (73) enquanto os servidores público tiveram a menor prevalência, 4,76% (p=0,0000).

4.4 – Positividade simultânea das duas espécies no indivíduo (Infecção mista)

Houve 25 (8,33%) indivíduos, com idade variando de 15 a 49 anos que simultaneamente apresentaram microfilaremia positiva de W. bancroft e L. loa, sendo 20 (11,11%) mulheres e 5 (4,17%) homens com um p valor de 0,0550. Categorizando a idade em grupos de 15 a 29 e 30 a 49 anos, observou-se prevalências de 13,95% e 10,83%, respectivamente. Quanto ao bairro, o 1º de Maio apresentou 10 casos (9%), o 4 de Fevereiro 13 (8,7%) e o Kuka Munu 2 (5%). As diferenças encontradas não foram estatisticamente significativas (Tabela 14).

 

Tabela 14: Distribuição da prevalência dos indivíduos com positividade simultânea da microfilaremia bancroftiana e loana (n = 300) por bairro, sexo, faixa etária e ocupação e teste de significância no intervalo de confiança de 95% (IC a 95%), Buco-Zau, 2001.

Covariáveis

Casos

(25)

%

Total

Valor de p (IC 95%)

Bairro

     

0,7124 **

 

1º de Maio

10

9,00

111

 
 

4 de Fevereiro

13

8,72

149

 
 

Kuka Munu

2

5,00

40

 

Sexo

       
 

Masculino

5

4,17

120

0,0550*

 

Feminino

20

11,11

180

 

Faixa etária

       
 

15 – 29 anos

12

13,95

86

0,4988

 

30 – 49 anos

13

10,83

120

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(*) p valor com correção de Yates.

(**) p valor de tendência linear (qui-quadrado = 0,68 com 2 graus de liberdade).

 

4.5 – Prevalência da doença filarial bancroftiana e loana

A prevalência da doença filarial bancroftiana e loana esteve presente em 139 indivíduos (46,33%), com uma taxa de prevalência estimada em 4,6 por cada 10 habitantes.

 
 
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