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Kuhn, Eunice. Promoção da saúde bucal em bebês participantes de um programa educativo-preventivo na cidade de Ponta-Grossa-PR. [Mestrado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2002. 77 p.

1 INTRODUÇÃO

 

Na atualidade, a cárie, a doença periodontal e a má-oclusão continuam sendo as patologias de maior prevalência e incidência universal na área odontológica, apesar dos avanços no conhecimento sobre suas etiologias e patogenias. No Brasil, também é grande o número de pessoas atingidas por estas patologias. No entanto, o sistema de atendimento que vigora no país resulta em uma assistência odontológica incapaz de suprir as necessidades da população, dando ênfase ao tratamento curativo das mesmas, sendo este na maioria das vezes de forma precária (Aguiar et al. 1999).

Partindo-se do conceito que "Saúde pública é a ciência e a arte de evitar doenças, prolongar a vida e desenvolver a saúde física e mental e a eficiência, através de esforços organizados da comunidade para o saneamento do meio ambiente, o controle de infecções na comunidade, a organização de serviços médicos e para-médicos para o diagnóstico precoce e o tratamento preventivo de doenças, e o aperfeiçoamento da máquina social que irá assegurar a cada indivíduo, dentro da comunidade, um padrão de vida adequado à manutenção da saúde" (apud Rouquayrol, 1994), reconhecem-se hoje, dentro do campo da saúde pública, objetivos cada vez mais específicos, relacionados aos fatores que dizem respeito aos ambientes, biológico, físico e social e as maneiras pelas quais eles poderiam representar riscos, traduzíveis em ameaças à saúde e à qualidade de vida (Forattini, 2000).

Nessa articulação entre saúde e condições/qualidade de vida, pode-se identificar o desenvolvimento de uma estratégia das mais promissoras para enfrentar os problemas de saúde que afetam as populações humanas. Trata-se da promoção da saúde, que partindo do conceito amplo sobre o processo saúde-doença e de seus determinantes, propõe a articulação de saberes técnicos e populares, e a mobilização de recursos institucionais e comunitários, públicos e privados para seu enfrentamento e resolução (Buss, 2000).

Embora a expressão "promoção da saúde" tenha sido usada a princípio por Leavell e Clarck, para caracterizar um nível de atenção da medicina preventiva, com um enfoque centrado no indivíduo, com uma projeção para a família ou grupos, posteriormente, com a segunda revolução epidemiológica, a promoção da saúde passou a associar-se a medidas preventivas sobre o ambiente físico e estilos de vida (Buss, 2000).

Portanto, o conceito moderno de promoção da saúde é caracterizado pela constatação do papel protagonista dos determinantes gerais sobre as condições de saúde, sugerindo, desta forma, uma nova proposta de reorganização da saúde na atenção básica.

Considerando-se que o Programa de Saúde da Família (PSF), representa uma proposta de reorganização da atenção básica, não mais centrada somente na assistência à doença, mas, sobretudo, na promoção da qualidade de vida e intervenção nos fatores que a colocam em risco, a incorporação de ações de saúde bucal no referido programa, visa a uma integração das ações clínicas e de saúde coletiva, viabilizando a ampliação ao acesso da população a essas ações e a melhoria do quadro epidemiológico das doenças bucais no Brasil e, certamente, de suas conseqüências sobre a saúde geral dessa população.

Tentou-se inúmeras alternativas terapêuticas na busca da reversão deste quadro, mas muitas vezes não se consegue controlar estas doenças pois, sem transferência de conhecimento, não há resultado eficaz (Horowitz, 1994). O papel do conhecimento é um conceito fundamental em promoção da saúde e educação para a saúde, por ser essencial para que as pessoas possam tomar decisões conscientes.

"A educação deveria ser o fundamento de qualquer programa de saúde pública, para qualquer tipo de doença" (Horowitz, 1994). Esta afirmação remete-nos a questionamentos profundos no repensar em torno da questão. Contudo, evidências consideráveis indicam que as informações transmitidas, freqüentemente não consideram o conhecimento científico disponível e muitas vezes são incorretas, além, de pouco valorizarem o saber acumulado da população, o que dificulta sua articulação com o saber técnico.

A educação para a saúde pode ser definida como qualquer combinação planejada de aprendizado que predispõe, capacita ou reforça o comportamento voluntário, levando à saúde do indivíduo, do grupo ou da comunidade. A promoção de saúde é a combinação planejada de ações educacionais, políticas, regulatórias e organizacionais, que atuam na condição da saúde do indivíduo, do grupo ou da comunidade (Horowitz,1994). Desta maneira, a educação para a saúde e a promoção da saúde, se tornam intimamente relacionadas, ou seja: a promoção da saúde depende da participação ativa da população bem informada no processo de mudança, enquanto que a educação para a saúde é uma ferramenta de vital importância neste processo (OPS, 1996).

A Carta de Ottawa (1986) define a promoção da saúde como "o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo" (WHO, 1986).

Rezende (1986) afirma que a educação é um instrumento de transformação social, não só a educação formal, mas toda a ação educativa que propicie a reformulação de hábitos, aceitação de novos valores e que estimule a criatividade. A educação para a saúde deve ser pensada como um processo capaz de desenvolver nos indivíduos a consciência crítica das causas reais dos seus problemas e, ao mesmo tempo, criar uma prontidão para atuar no sentido de mudança.

Novos conceitos foram desenvolvidos a partir do princípio de que a educação gera hábitos de vida saudáveis, surgindo então a necessidade de uma atuação precoce, no intuito de manter a saúde, antes mesmo de prevenir a doença.

O atendimento ao bebê e, conseqüentemente, a educação e motivação dos pais em relação à saúde bucal é a forma mais prática, simples, eficaz e de baixo custo para se realizar programas de saúde pública. No entanto, no Brasil, por muito tempo o atendimento infantil esteve restrito à faixa etária escolar, recomendando-se, também, aos pais, levarem seus filhos ao dentista, após os três anos de idade, acreditando que a criança só poderia cooperar a partir desta idade. Hoje, a literatura nos prova, de forma incontestável, que a cárie não espera a idade "cooperativa da criança" e que ela afeta principalmente àquelas oriundas de famílias de classes populares e menor grau de escolaridade, e com maior dificuldade de acesso à educação para a saúde e para o atendimento.

A alta prevalência de cárie em bebês, demonstrada em uma série de estudos (Barros et al. 2001; Habibian et al. 2001; Wyne et al. 2001), esclarecem sobre a necessidade de programas voltados para a promoção de saúde na primeira infância, que visem manter a saúde bucal dessas crianças.

Tal estudo objetivou avaliar uma possível mudança no comportamento materno, diante do acesso às informações necessárias para a aquisição de hábitos saudáveis, desde os primeiros anos de vida. A redução das doenças bucais no grupo de bebês sob intervenção será um indicativo da eficiência das medidas educativas e preventivas aplicadas.

Diante do exposto, nosso objeto de estudo foi construído a partir das seguintes questões:

  1. Até que ponto, os profissionais que realizam atendimento a mães e bebês, trabalham com questões relacionadas à prevenção da cárie dentária?
  2. Há consideração do papel exercido pelos determinantes sociais no processo saúde/doença, por parte das equipes de saúde?
  3. Há, efetivamente, oferta de informações que consideram a multiplicidade de fatores responsáveis pela cárie dentária em bebês, para o grupo familiar, por parte dos serviços de saúde?
  4. Há organização de ações descentralizadas visando a informação e educação do grupo familiar sobre cárie dentária, em bebês?
  5. Existe um saber cultural consolidado sobre a necessidade de promoção da saúde bucal desde o nascimento?
  6. A motivação por parte do grupo familiar com relação à saúde bucal de seus bebês está relacionada com a dimensão pessoal, ou esta se insere em um âmbito mais amplo, podendo ser influenciada por um contexto social, econômico, cultural e político?

Com base nessas premissas, nossa HIPÓTESE CENTRAL é:

O acesso à informação e a medidas preventivas, contextualizados no conjunto dos aspectos determinantes da cárie dentária em bebês, interferem na sua redução.

1.1 OBJETIVOS

1.1.1 GERAL

  • Analisar o comportamento de mães voluntárias da cidade de Ponta Grossa, diante do acesso às informações e medidas preventivas, necessárias para a aquisição de hábitos saudáveis desde os primeiros anos de vida dos bebês.

1.1.2 ESPECÍFICOS

  • Verificar a prevalência de cárie em bebês participantes do programa educativo-preventivo.
  • Identificar conhecimento materno e práticas preventivas em bebês, para evitar o desenvolvimento da doença cárie (hábitos alimentares e de higiene bucal).
  • Conhecer atitudes maternas para com a sua própria saúde bucal.

1. 2 ORGANIZAÇÃO DO ESTUDO

A presente dissertação está fundamentada em 6 capítulos, assim distribuídos:

1 Introdução: apresenta o assunto a ser tratado de forma breve e objetiva, fornecendo informações sobre a natureza, a importância do problema e suas limitações. Indica a finalidade e os objetivos do trabalho, referindo-se aos tópicos principais do texto explicitando o roteiro ou a ordem de exposição.

2 Justificativa: trata da relevância, da importância da problemática e que contribuições para a compreensão, intervenção ou solução para o problema poderão surgir a partir da realização de tal pesquisa.

3 Fundamentação teórica: é o levantamento da literatura correspondente ao assunto já publicado, situando a sua evolução na referida área. Serve de base para a investigação do trabalho proposto.

4 Metodologia: explicita o desenho metodológico, ou seja, a descrição precisa da maneira pela qual os objetivos propostos foram alcançados. Descreve os materiais, equipamentos e métodos utilizados, sendo estes os elementos principais para o sucesso da pesquisa, visando possibilitar a repetição do experimento por outra pessoa com a mesma precisão.

5 Resultados e discussão: procura-se estabelecer as relações entre causa e efeito, princípios básicos e generalizações, a partir de experimentos estabelecidos, elucidar exceções, contradições, modificações, teorias e princípios relativos ao trabalho, indicar as aplicações teóricas ou práticas dos resultados obtidos, assim como suas limitações, sugerir novas pesquisas, tendo em vista a experiência adquirida no desenvolvimento da pesquisa visando sua continuidade.

6 Considerações finais: é a recapitulação dos resultados obtidos e deve estar fundamentada em dados comprovados. Encontra-se intimamente relacionada com a proposição do trabalho.

 
 
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