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Souza, Claudia Teresa Vieira de . Características sóciodemográficas, comportamentais e vulnerabilidade à infecção pelo vírus da imunodeficiência humana em homens que fazem sexo com homens do "projeto Rio". [Doutorado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2001. 50 p.

5 - CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES

 

A importância dos estudos preparatórios de ensaios vacinais anti-HIV fases II/III é indiscutível, pois além de contribuírem para obtenção de dados concretos referentes à abordagem da epidemia em nosso país, estas coortes são essenciais para:

  1. mensurar a incidência de infecção pelo HIV;
  2. avaliar a adesão ao protocolo de acompanhamento (follow-up);
  3. avaliar dados sociodemográficos e comportamentais da população sob estudo;
  4. verificar como se aplicam na prática os preceitos e normas éticas referentes a estes estudos;
  5. avaliar, caso seja exeqüível, a eficácia de produtos vacinais anti-HIV no contexto brasileiro.

Estes estudos, ao lado de outras iniciativas, incluem o Brasil no cenário internacional dos estudos de vacinas anti-HIV/AIDS.

Os manuscritos apresentados nesta tese de doutorado referem-se às características sócio-demográficas, comportamentais e à auto-percepção de vulnerabilidade à infecção pelo HIV em "Homens que fazem Sexo com Homens", que foram analisadas a partir de dados do projeto "Estudo Piloto de Incidência do HIV entre Homens: Preparação para a Eficácia da Vacina Preventiva contra o HIV no Rio de Janeiro/Brasil" ("Projeto Rio").

A autopercepção de vulnerabilidade à infecção pelo HIV, o desejo de participação em futuros ensaios de vacinas anti-HIV e a influência do uso de drogas sobre as práticas sexuais desprotegidas constituíram os temas centrais de análise e discussão, a partir das informações que constavam na entrevista de linha-de-base (baseline).

A questão da vulnerabilidade à infecção pelo HIV se evidencia, na presente tese, por intermédio da tríade: pobreza, baixo nível de instrução e uso de drogas, sugerindo que uma minoria substancial dos voluntários do "Projeto Rio" não consegue manter um comportamento seguro, a despeito das iniciativas no âmbito da prevenção. Tal fato reforça a necessidade de implementar programas preventivos específicos direcionados para esta população e seus respectivos parceiros, com ênfase na questão do uso de álcool e drogas ilícitas e seu vínculo com as práticas sexuais desprotegidas.

Acreditamos que os nossos achados possam contribuir para preencher lacunas sobre o comportamento, as práticas e as atitudes entre os HSH, no âmbito da epidemiologia e prevenção do HIV/AIDS, no contexto brasileiro, principalmente, no que se refere às condições sociais adversas, ao uso de drogas ilícitas e à prática do sexo comercial. Estas discussões precisam ser ampliadas e aprofundadas, pois é notório que a epidemia do HIV/AIDS vem atingindo, crescentemente, populações menos favorecidas em nosso país. Estes segmentos populacionais em desvantagem sócio-econômica desafiam a comunidade científica na busca de alternativas culturalmente apropriadas, direcionadas à prevenção do HIV/AIDS, cuja abordagem deve ser implementada de uma forma integrada aos diferentes planos, interdependentes, de determinação da vulnerabilidade, individual e social, à infecção pelo HIV.

Como recomendações sugerimos que diversas questões ainda podem ser trabalhadas, pois existe uma diversidade de informações, com um conteúdo riquíssimo, no questionário sócio-comportamental sobre os voluntários do "Projeto Rio" a serem analisadas no âmbito de futuras investigações.

Nos três manuscritos apresentados pelo autor desta tese, procedeu-se a análises multivariadas por meio de regressões logísticas, sendo recomendável proceder a reanálises deste mesmo banco através de formas alternativas de modelagem (tais como os modelos lineares generalizados), além de análises de dados propriamente longitudinais, já que nesta tese analisamos exclusivamente dados referentes à entrevista de "linha-de-base"

Além disso, as questões antropológicas e psicossociais, contidas no questionário sócio-comportamental, poderão ser exploradas por meio da aplicação de metodologias qualitativas e poderão complementar e enriquecer os resultados encontrados na presente tese.

A prevenção da infecção pelo HIV em populações particularmente vulneráveis e inseridas em condições sócio-econômicas desfavoráveis constitui uma questão complexa e desafiadora que demanda e demandará profunda integração entre profissionais de saúde, sociedade civil e esfera governamental na busca, não somente do aprimoramento das ações técnicas de saúde pública, como também do resgate da dignidade e da solidariedade humana.

 
 
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