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Costa, Alcilea Fátima. Avaliação da contaminação humana por hidrocarbonetos policíclicos aromáticos: determinação de 1-hidroxipireno urinário. [Mestrado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2001. 80 p.

3 – EXPOSIÇÃO À FUMAÇA DE TABACO

A exposição à fumaça de cigarro pode se dar tanto pelo fumo ativo quanto pela inalação passiva, sendo que neste último caso nenhum efeito sobre a concentração de 1-OHP urinário tem sido relatado. Na população em geral, é explicável a baixa concentração de 1-OHP urinário encontrada, já que na inalação passiva ocorre uma baixa absorção em relação ao total de HPAs. Valores mais elevados deste metabólito foram encontrados na urina de fumantes em relação a indivíduos não fumantes. Dados da literatura relatam uma concentração urinária média de 1-OHP, que varia de 0,10 a 0,50 m g/g creatinina para o grupo de não fumantes, enquanto que no grupo de fumantes tais concentrações estão compreendidas entre < 0,07 a 1,37 m g/g creatinina ( Tabela 9) e correlacionado ao número de cigarros fumados, sugerindo a existência de uma relação dose-resposta entre este metabólito e o fumo(Jongeneelen et alii. 1990; Van Rooij et alii. 1994). O cigarro de tabaco geralmente contém de 5 a 27m g de pireno por 100 cigarros. Então, fumar 10 cigarros ao dia significa uma ingestão de 0,5 a 2,7 m g de pireno (Jongeneelen et alii. 1986).

Assim, o vício de fumar pode tornar-se um importante fator de confundimento, quando se faz um monitoramento de exposição ocupacional a baixas concentrações de HPAs (Tabela 10). Por outro lado, o hábito de fumar pode ter efeito sinérgico de potencialização sobre a excreção do 1-HOP, provavelmente nos fumantes, se têm uma diminuição da "clearance" mucociliar e da indução da enzima responsável pelo metabolismo dos HPAs. A contribuição relativa do fumo parece, todavia, desprezível quando os indivíduos em observação estão expostos ocupacionalmente a elevadas concentrações de HPAs ( Apostoli et alii. 1996 ).

 

Tabela 9 : Excreção urinária de 1-OHP na população em geral.

1-OHP (m g/g Creatinina)

Fumantes X (D.S.)

1-OHP (m g/g Creatinina)

Não Fumantes X (D.S.)

1,37 (0.59)

0.48 (0.52)

0,91 ·

0.30·

0.59 (0.34)

0.42 (0.23)

0.46

0.28

0.44·

0.21·

0.28(0.17)

0.15(0.14)

0.20·

0.10·

< 0.07·

0.50·

0.18·

0.30·

· Mediana

Fonte: Apostoli, P. et al., 1996.

 

Tabela 10: Excreção urinária de 1-OHP em trabalhadores expostos ao PAHs .

Trabalhadores

1-OHP (m g/g Creatinina)
Fumantes X (D.S.)
Não Fumantes X (D.S.)

Fumaça de Betume

1,19 (0.53) 0.94 (0.80)

Fundição

0.75 · 0.19 · 0.05 · 0.03 ·

Fumaça de Incineração

0.38 (0.17) 0.25 (0.17)
0.30 (0.22) 0.10 (0.08)

Autoreparação

0.46 (0.27) 0.27(0.18)

· , Mediana

Fonte: Apostoli, P. et al., 1996.

 
 
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