HomeLista de Teses >  [DEMENCIA COMO FATOR DE RISCO PARA QUEDA SEGUIDA DE...]


 

Carvalho, Aline de Mesquita. Demência como fator de risco para queda seguida de fratura grave em idosos. [Mestrado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2000. 82 p.

CAPÍTULO 6

CONCLUSÃO

 

Através da análise das circunstâncias das quedas, foi possível observar que 2/3 destas ocorreram durante o dia. O domicílio foi identificado como um lugar de risco, em especial para pacientes dementados. O banheiro foi um local de queda importante para pacientes com demência, enquanto os idosos sem demência caíram mais na área externa. Em ambos os grupos foi significativo o número de quedas no próprio quarto e na sala. A maioria dos idosos caiu enquanto andava, mas ressalte-se que o processo de se levantar foi de maior risco para aqueles com demência. Essas informações são importantes no planejamento de estratégias preventivas de quedas e fraturas, apontando situações ou locais de maior risco.

Em relação aos dados sócio-demográficos, os idosos viúvos e vivendo só eram mais numerosos entre os pacientes que sofreram fratura severa decorrente de queda. Portanto, ser casado ou viver em companhia de alguém parece ser um fator protetor para quedas seguidas de fraturas nessa população.

Idosos que caíram e fraturaram eram mais magros, que os controles, podendo indicar que a obesidade (ou mesmo o sobrepeso) protegeria contra esses eventos; ou ainda que o idoso mais magro seria mais frágil, tornando-o vulnerável às quedas e fraturas.

Os idosos que sofreram quedas seguidas de fraturas mostraram-se menos autônomos do que os que caíram.

A ocorrência de quedas no ano anterior, ainda que sem gravidade, é um importante sinalizador do risco de queda com fratura grave no ano seguinte.

O consumo freqüente de álcool, e nas 24 horas que antecederam a queda, foi maior entre os idosos que caíram, assim como o uso de alguns medicamentos (benzodiazepínicos e miorrelaxantes). Já entre os que não sofreram queda, foram mais consumidos os diuréticos, digitálicos e anti-ácidos.

E finalmente, foi possível concluir que, independente de sexo, idade, estado conjugal, estado de saúde, consumo de álcool, consumo de anti-ácido nas últimas 24 horas e ocorrência de quedas no ano anterior (identificadas no estudo como variáveis potenciais de confusão), a presença de quadro indicativo de demência aumentou a chance de ocorrência de quedas seguidas de fraturas graves entre os idosos.

Tais informações podem ser importantes no planejamento de programas de prevenção de quedas e fraturas entre a população idosa. Porém, estudos devem ser realizados com o objetivo de avaliar a efetividade de diferentes medidas preventivas, e ainda identificar quais os aspectos dos diferentes tipos de demência estão associados com esses acidentes e fraturas, o que poderá contribuir para uma maior especificidade nos trabalhos de prevenção.

 
 
  Início