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Carvalho, Silvia Barbosa de. As virtudes do pecado: narrativas de mulheres a "fazer a vida no centro da Cidade". [Mestrado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2000. 89 p.

5. Sobre a Vida e o Viver: Sujeito, Espaço e Afetos

A vida escapa às armadilhas de nossos métodos.

Por mais teorias que possamos produzir sobre o viver, ainda assim somos surpreendidos a cada instante por eventos que fogem à nossa capacidade de imaginação e de controle. E vida é precisamente isso, é surpresa! A todo momento a vida nos mostra uma diversidade de linhas e nunca realizamos nossa edição final.

"Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, por que não existe termo de comparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso o que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra certa, porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro."

 

Milan Kundera, em "A Insustentável Leveza do Ser", apresenta a dimensão da incompletude humana do ponto de vista da literatura. Nela, o personagem se dilacera em dúvidas sobre qual a melhor forma de conduzir sua vida, comparando-a com o esboço de um quadro que nunca se completa com precisão. Para ele, a vida não tem uma linearidade que nos permita definir, de antemão, suas ações e limites. Essa imagem que não se cristaliza provoca desconforto, pelo risco do despedaçamento, mas permite, também, a construção de um caminho original na invenção da vida.

O sujeito escapa às formulações, seu mundo interno não é regido pelo tempo e a lógica do mundo externo (Freud, 1910). As leis que lhe orientam a vida, são as leis do inconsciente, e essas leis permitem entender os princípios da dissociação psíquica. O jogo de forças entre as pulsões do eu e as pulsões sexuais regem a vida dos sujeitos. As pulsões (Freud, 1915) representariam o movimento, através de um impulso que impede que o sujeito se paralise.

Esse movimento permite a construção de uma história para o sujeito. De acordo com o momento, e com a tensão entre as forças pulsionais, altera-se também a forma do sujeito relacionar-se com o mundo e as coisas dos mundo. Nenhuma regra garante o sucesso indiscriminado das ações na invenção da vida.

Para Freud (1930), a felicidade é condição subjetiva, individual, na medida em que o homem é capaz de suportar os maiores sofrimentos em nome de seus desejos. As raízes do "Mal Estar na Civilização" estariam justamente na dificuldade do sujeito buscar prazer, quando os antagonismos entre as exigências pulsionais e as restrições da cultura são cada vez maiores.

Da mesma forma que a cultura define proibições, mas não permite questionamentos de suas incoerências, cada sujeito vai descobrir o caminho e os acordos que precisa fazer entre seus desejos e as leis que lhe são impostas. Quanto mais distante do seu desejo, mais distante do lugar de sujeito (Valadares, 1994).

É importante notar que toda a reflexão de Freud tem origem no corpo. A relação do homem com o corpo, seus descaminhos e seus movimentos, tem base na teoria das pulsões (Freud, 1929) segundo a qual os fenômenos psíquicos estão baseados no orgânico, mas não se constituem como fenômenos orgânicos. As pulsões promoveriam uma tensão constante, um jogo de forças, intenso, entre mundo interno e externo, entre as exigências do eu e as reivindicações do social. Esta tensão viabilizaria a aventura do homem no mundo. Se é assim, por que a busca pelo prazer seria projeto para alguns e não para outros? O que iria garantir a legitimidade de algumas buscas e o desmerecimento de outras?

Nesse sentido, as trabalhadoras do sexo, "fazem vida" na medida em que constróem, com seus corpos, através de trocas simbólicas, um espaço; uma situação no mundo (Valadares, 1994). Para Valadares, a vida não se enquadra na ciência, o sujeito não é construção de um espaço anterior a ele; para existir é preciso habitar e nesse habitar o sujeito inventa o mundo, as coisas do mundo e a si próprio.

E, da mesma forma que não há corpo sem sujeito, não há sujeito sem território, fora de um espaço onde as ações humanas se situam. O território apresenta-se como potência, como construção de um espaço possível de atuação, de invenção e manutenção deste território e não só como determinação de controle do espaço. Nas palavras de Valadares:

"Sabemos que o outro está aí, na própria pulsação do mundo, manifesta no que se pode perceber da vitalidade do sujeito. Resta ser descoberto. Essa descoberta somente se dá a partir de um encadeamento de fatos, de imagens em formações, que, a um só tempo, falem de uma presença, um lugar que se reconheça no espaço ambiente"(1994).

 

A prostituição feminina pode ser entendida, segundo esta perspectiva da ação humana; como uma forma de invenção de sujeitos a manterem uma relação ativa e afetiva com o espaço. Esta relação remete ao domínio simbólico e geográfico, e mostra que existir é estar presente no mundo e, nessa presença, criá-lo e ser criado pelo mundo.

Todo trabalho tem ligação com uma certa técnica e toda técnica é uma dimensão da vida. Na relação do corpo com o espaço há um trabalho de criação, e é impossível pensar um sem o outro. É a presença corpórea que permite a construção de um espaço, como é na relação com o meio que o corpo se molda. Assim, é a presença que viabiliza os ensaios do sujeito na construção da vida e da sua técnica particular de fazer vida.

Para Ortega y Gasset (1939), o conjunto das ações humanas está diretamente ligado ao âmbito da técnica. Caracterizaria o humano a capacidade de invenção de uma técnica de viver de acordo os desejos de cada sujeito, não havendo uma técnica pre-concebida, pronta para ser usada por qualquer um. A técnica seria parte de um projeto maior de vida, a envolver não só a realização de uma tarefa, mas a concretização de um desejo de existência que transcende os objetivos que a simples utilização de uma técnica contem. A vida seria um programa imaginário (1939), que o sujeito não pode furtar-se a executar.

A técnica é, em um sentido amplo, a forma que o sujeito encontra para ser aquilo a que se propõe ser neste programa imaginário, fruto de seus encontros e desencontros na sua relação com o mundo. O homem é o único animal capaz de transformar a natureza segundo aspirações que, algumas vezes, são contrárias às suas próprias necessidades de sobrevivência. Ainda em concordância com Ortega y Gasset:

"A vida humana, pois, transcende a realidade natural, não lhe é dada como é dada à pedra cair e ao animal o repertório rígido de seus atos orgânicos comer, fugir, nidificar, etc. - Senão que o homem a faz, e este fazer a própria vida começa por ser a invenção dela."

 

Assim, cada pessoa vai definir para si qual é a sua técnica de viver, qual o seu caminho e a sua necessidade, por mais destoante que possa parecer-nos. Não por que exista uma construção natural deste viver, mas porque sua técnica é o seu viver, é um artifício deste viver e da história que lhe permite viver. A técnica é construção e instrumento de construção de caminhos possíveis para existir, está implicada com a história de cada sujeito. O caminho vai sendo definido no desenrolar da vida do sujeito e dentro do que ele se propõe viver, não há sentido na técnica em si mesma sem um projeto coerente com este viver. O homem não deseja por desejar, mas em consonância com as metas que lhe permitem ser e sem as quais ele não existiria. Sem um projeto, o homem cai no vazio da existência. E, assim, vale-se da técnica para inventar a vida em sua plenitude, cercado de dificuldades e facilidades, que são também instrumento na construção de sua técnica, de seu existir (Ortega y Gasset, 1939).

Heidegger (1990), ao fazer "A Pergunta Pela Técnica", julga ser o "fazer a vida" uma técnica do homem tanto quanto qualquer outra invenção. A técnica, para Heidegger, seria um truque para tornar a vida possível, não sendo útil quando a usamos com rigidez e sem crítica. É um fazer que não se realiza apenas pelos objetivos aos quais se propõe mas, porque o destino do homem é a cumplicidade com esse fazer, que se materializa como presença.

Para o autor, a técnica implica o sujeito no seu viver, mas não o cristaliza. O homem é provocado e nesta provocação (1990) é chamado a prosseguir. Seguir o fluxo desse viver é, já aí, o curso da vida possível, única forma de existir. Mas onde há risco, há dúvida, há a surpresa do homem com esse cursar. É no risco que encontramos a salvação.

Podemos pensar, a partir destes autores, não ser a prostituição uma escolha neutra mas, para cada mulher, também uma expressão de uma técnica peculiar de viver, e de interagir com a cidade. Técnica que implica o corpo e a técnica de uso do corpo, a configurar uma presença única e plural, mas sempre uma presença.

A vida constroe-se em famílias, que existem. Vivemos em cidades, bairros, ruas, casas, quartos... espaços que são construídos, e constróem subjetividades. Ninguém se faz sozinho, gestos e rostos inventam o sujeito e sua história. Narrativas de sabores e dissabores compõem uma vida, de forma única e tragicamente só. Uma solidão feita de amargura pelo desencontro com o outro mas, também como desapego deste outro, condição para formação de uma identidade de si mesmo. Da vivência desta solidão surge um sujeito - controverso, obtuso, contraditório - mas, acima de tudo, um sujeito possível.

5.1 Prostituição e Espaço Urbano

São frequentes as alusões às cidades como metáfora da mulher adúltera e prostituida. Oséias é convocado a desposar uma esposa adúltera e assumir seus filhos "porque a nação procedeu mal para com o Senhor" (Oséias 1:2). A nação da qual fala o Senhor é a nação de Israel, tentada pelos deuses pagãos. Os chefes espirituais de Israel também são culpados pela devassidão da cidade e de seu povo. Assim, como castigo maior a Israel e seus líderes, recai sobre eles a ameaça de Deus de não punir as filhas prostitutas e as esposas adúlteras (Oséias 4:1-14).

Jerusalém também é tomada como prostituta por cair na tentação dos estrangeiros, e construir ídolos para adoração dos deuses dos estrangeiros:

 

"Como é frouxo teu coração - oráculo de Javé - para teres tido ali o comportamento de uma prostituta, por teres construído um montículo em todas as encruzilhadas, e um lugar alto à entrada de todas as ruas, sem mesmo procurar um salário de meretriz. Tens sido mulher adúltera que acolhe os estranhos em lugar do esposo. A todas as prostitutas se dão presentes, mas tu fizeste brindes a todos os teus amantes, procedeste com largueza para que todos os lados viessem prostituir-se contigo. Tens sido o avesso das outras mulheres em tuas depravações: não te procuravam; eras tu que pagavas ao invés de receber, fazendo tudo ao contrário do que fazem as outras."(Ezequiel 16:30-34)

Vemos, nesta citação, os sinais pelos quais se reconheceria uma prostituta na Bíblia, sinais atribuídos a uma "cidade-prostituta". Jerusalém não só é definida pelos seus atos, como é criticada, por Javé (Jeová), por não saber comportar-se, como meretriz, tornando-se ainda mais indígna aos olhos de Deus. Ela dava, de graça, o que as prostitutas cobravam para oferecer, bem como saía a procura de seus amantes, quando uma verdadeira meretriz, na visão de Deus, esperaria nas encruzilhadas por seus fregueses e receberia por isto. Nesse trecho, parece que Jeová atribui mais qualidades a uma prostituta profissional do que a Jerusalém. Outro ponto importante é a cidade também ser acusada por suas tentativas de "contaminação" das outras cidades em sua vizinhança.

É interessante a regularidade de relatos em que se relaciona a prostituição à constituição e ao crescimento das cidades. A chegada dos estrangeiros, as trocas culturais e políticas com os mesmos, transformam o espaço nos textos do Antigo Testamento. Tanto nas encruzilhadas dos caminhos, quanto na vivência cotidiana, a prostituição assume a figura do estrangeiro, a perverter os costumes da tribo de Israel.

Em Juízes (2:3) como castigo pela devassidão, Deus condena o Povo Escolhido a viver entre os cananeus, ao invés de livrá-lo da tentação, como forma de o manter em constante vigília. Assim, é no convívio que encontramos o maior risco para a humanidade, e também a única possibilidade de salvação, como já vimos.

Talvez essas passagens revelem uma preocupação de Deus com a disseminação da depravação e da desobediência pelas cidades de Israel. Mas também podem estimular uma reflexão sobre as ameaças e a necessidade de separação da "boa moça" e da "moça má", citadas no início deste capítulo, e ainda tão comum em nossos dias. E revelam, também, a importância que a Bíblia confere à invasão de Israel pelos estrangeiros.

Na chamada prostituição feminina de rua (Ribeiro e Mattos, 1996) existe uma relação constante entre as mulheres e clientes, vizinhança, comércio, transeuntes, etc. Este contato mais amplo com o espaço é fundamental para refletirmos sobre o espaço da cidade em sua diversidade, tanto de pessoas quanto de histórias, sobre um espaço específico, concreto, histórico, político e cultural.

A atividade das mulheres de rua é essencialmente urbana para alguns autores (Rago, 1991 e 1996; Engel, 1986; Roberts, 1998) Estes autores consideram fundamental a relação entre capital, circulação de pessoas e prostituição. Para eles, as cidades favorecem tanto o anonimato quanto os encontros, e diversas formas de atuação e de controle.

Engel (1986) nos mostra que o lidar com a prostituição no Rio de Janeiro, no período de 1845 a 1890, incluía fatores políticos, ideológicos e culturais. A maneira de se ver às prostitutas envolvia não só o ideário feminino da época, a dicotomia entre as "boas moças e as outras", como também produzia uma série de normas de legislações que procuravam controlar a prostituição.

Fosse do ponto de vista da regulamentação, fosse pela tentativa de extermínio do comércio prostitucional, as duas perspectivas acima se sustentavam em um ideal de modernização da cidade, cidade a crescer desordenadamente em virtude do número cada vez maior de escravos libertos e fugitivos e da chegada de imigrantes. Este processo é acompanhado por uma preocupação crescente com a higienização, cuja ausência compreendia os planos arquitetônico, moral, higiênico, social, todos herança de um período colonial, tido como ultrapassado.

Soares (1992) ao estudar em arquivos médicos e policiais da segunda metade do século XIX, no Rio de Janeiro, concluiu que, independentemente do motivo a levar as mulheres a prostituição, era decisivo o crescimento da cidade, a ampliação de seus limites, inclusive para antigas zonas de mangue antes desvalorizadas. Essas mudanças no espaço urbano provocavam, também, mudanças no comportamento dos homens e mulheres a viverem nos centros urbanos.

Segundo os autores, a reorganização e a modernização do espaço urbano envolviam um processo de mudança ideológica e cultural, no qual a necessidade de controle da prostituição era apenas mais um fator. E, para sustentar este ideário, a atitude mais conveniente seria a intervenção, muito mais do que sobre os corpos, sobre os discursos, e sobre as práticas relacionadas aos discursos. Nesse contexto, o discurso médico seria um importante aliado pois, através do médico, a prostituição passaria a ser tratada como doença. E, em um espaço que tem a higienização como meta, deveria ser controlada, e aniquilada.

O embate entre médicos e prostitutas culminou na segregação da atividade de prostituição a algumas áreas do centro do Rio de Janeiro. E pode ser entendidos, como a vitória do discurso médico - o isolamento da "doença" - e, como a apropriação, pelas prostitutas, de um espaço, que elas passavam a dominar.

Via-se a cidade como lugar de perdições, já que em seu processo de degeneração arrastaria consigo o sujeito e o desvirtuaria dos caminhos "do bem". A cidade era, também, local de escravos fugitivos e criminosos, a transitar, misturados à efervescência da cidade sem chamar qualquer atenção.

Rago (1991), estudou a prostituição na cidade de São Paulo, no período de 1890 e 1930. São Paulo aparece como uma cidade em franco desenvolvimento, e a prostituição como um fenômeno urbano de uma sociedade baseada em um sistema de trocas.

Neste contexto, a figura da prostituta seria, segundo os registros do início do século, uma imagem da modernidade. Pois mostrava que as mudanças sociais no espaço urbano interferiam também nos papéis atribuídos às mulheres, até então, enclausuradas no universo doméstico. Essa revolução no espaço permitia tanto a valorização da prostituta, como representante das noites e das festas em bares e cafés, como uma leitura da degeneração feminina.

Para Benko (1994), a ebulição da cidade favoreceria a criação de não-lugares, em oposição a lugares, com vantagens e desvantagens para o sujeito. A possibilidade de habitar um lugar é a promessa de construção de uma história para o sujeito. Ao mesmo tempo, este lugar pode não proporcionar prazer, pois carrega consigo uma carga muito grande de sentimentos, torna a existência dura demais e impede o sujeito de ser segundo o seu desejo.

Em contrapartida, a existência de não-lugares, representados por espaços de circulação - como rodoviárias, aeroportos, lanchonetes, clubes, hotéis - comuns em todas as cidades, traria a ameaça de um não-lugar sem sentido ou história. O não-lugar é um risco de aniquilamento para o sujeito visto que, o estatuto de sujeito implica a definição de lugares, de nomes, de histórias que limitam caminhos. Mas, por outro lado, a existência desses não-lugares ofereceria a oportunidade de cada pessoa criar segundo seus próprios desejos, a partir de espaços menos comprometidos de afetos, libertos da carga afetiva que transborda e limita a singularidade do sujeito.

A cidade seria um lugar de perdições e de fuga, a impor à pessoa o risco de um não-sentido, de se perder. Ou, ao contrário, de, ao deparar-se com o lugar nenhum, criar um lugar para ser e povoá-lo de afetos.

Ao fazerem um mapeamento das áreas de prostituição na cidade do Rio de Janeiro, Ribeiro e Mattos (1996) mostram como os afetos interferirem na dimensão do espaço e resistir ao tempo e às mudanças de contexto. Os pontos que, no Rio antigo, constituíam locais de circulação de capital e pessoas, e eram considerados de grande importância para a economia da cidade, atualmente são pontos de prostituição. Como por exemplo: as Ruas Mem de Sá, Frei Caneca, Praça Tiradentes, Passeio Público, Central do Brasil e Praça Mauá. Os profissionais do sexo (mulheres, homens e travestis) detém um poder e uma autonomia sobre o espaço e constituem uma territorialidade própria, territorialidade cujos códigos delegam poder a seus ocupantes e permitem o controle de presenças, e de ausências, nestes trechos da cidade.

Muito mais do que um espaço de atuação profissional, constituir uma territorialidade é uma forma de falar da vida, de transgredir, de negociar e inventar novas regras. O controle de presenças e ausências é um exercício de invenção de limites mais coerentes com o sujeito. Só pela identificação de margens para o viver, pela diferenciação do que você é e do que é o outro, o sujeito pode definir rumos mais confortáveis para sua existência. A possibilidade de transitar, fazer consiliações entre o desejo e a cultura, experimentar, alternar presenças, ausências, sins e nãos, permite a invenção de uma vida mais feliz; seja na prostituição ou fora dela.

 
 
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