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Scliar, Moacyr Jaime. Da Bíblia à psicanálise: saúde, doença e medicina na cultura judaica. [Doutorado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 1999. 168 p.

5- MODERNIDADE, JUDAISMO E MEDICINA

Grandes mudanças - geográficas, econômicas, sociais, culturais - ocorreram no judaísmo europeu no começo da Idade Moderna. Em primeiro lugar, a Península Ibérica deixou de ser o centro nevrálgico das comunidades judaicas. Com a expulsão, os judeus tiveram de procurar outros países. Criou-se assim um judaísmo da Europa Ocidental, um judaísmo da Europa Oriental, e o judaísmo sefardita, nos Balcãs e na bacia do Mediterrâneo. Em termos populacionais, os dois últimos viriam a predominar; de maneira geral excluídos do surto de progresso econômico da Europa Ocidental, hostilizados pela Reforma e pela Contra-Reforma, os judeus foram empurrados para as regiões mais atrasadas do continente.

No fim da Idade Média surge uma localização específica para os judeus na Europa: o gueto. A origem do termo é discutida; pode vir do hebraico guet, separação; ou do toscano guitto, sujo; ou do italiano borguetto, quarteirão; ou de getto ou ghetto, termo italiano que designa uma fundição - havia um desses estabelecimentos perto do gueto de Veneza, que parece ter sido o primeiro lugar a receber essa denominação. O fato é que os antigos bairros judeus, a Judería espanhola, a Juiverie francesa, a Judengasse alemã, agora se transformavam em recintos fechados, sob a guarda de homens armados e onde as condições de vida eram deprimentes. Contudo, o gueto representava, de alguma maneira, uma proteção conferida pelas autoridades (quando estavam dispostas a dar essa proteção) e uma forma de preservação da vida judaica. Isto, na Europa Ocidental. Já no Império Czarista não havia guetos; melhor dizendo, havia um único e imenso gueto, a chamada Área de Estabelecimento, introduzida em 1772: era a região geográfica em que os judeus podiam viver, abrangendo zonas da Ucrânia, da Rússia Branca, da Lituânia, das províncias polonesas anexadas. Ali surgiram as pequenas aldeias judaicas conhecidas como shtetl.. E foi ali também que surgiu o movimento espiritual mais importante desde a era rabínica: o chassidismo (do hebraico chassid, devoto, pio). Fundado por Israel ben Eliezer (1700?-1760?), ou, como era conhecido por seus discípulos, Baal Shem Tov (Mestre do Bom Nome) o chassidismo era basicamente uma nova forma de praticar a religião judaica, uma forma mais alegre, mais emotiva, menos ritualística: Deus está em toda a parte, pode ser encontrado em toda a criação, e a maneira de chegar à divindade é através do canto, da dança, do riso. O chassidismo representou uma dupla reação: primeiro, às condições de miséria e terror em que viviam as comunidades judaicas da Europa Oriental (poucas décadas antes, cossacos ucranianos que combatiam os poloneses haviam massacrado cerca de 300 mil judeus) e, de outra parte, à religião excessivamente rígida e formalista dos afluentes judeus da Europa Ocidental (Ausubel, op.cit., p. 148-154)

Enquanto isto, a medicina praticada por judeus distanciava-se da religião, e também da filosofia. Em primeiro lugar, porque esta era a tendência de toda a medicina, cada vez mais institucionalizada como profissão, cada vez mais envolvida com o método científico. Observa Roy Porter que o Iluminismo, promovido por filósofos como Voltaire e Condorcet, favorecia a aliança da medicina com a ciência; de fato, muitos médicos viam-se como legítimos representantes da revolução científica que se registrou no período compreendido entre fins do século dezesseis e fins do século dezoito, paralelamente aos descobrimentos marítimos, à introdução da imprensa e à nova visão do universo trazida por Galileu e Newton. Esta revolução científica tinha um forte componente materialista. A explicação para doenças já não deveria ser buscada no sobrenatural, mas sim na forma de funcionamento do organismo. No seu extremo, esta visão tendia para o mecanicismo de Julien de La Méttrie (1709-1751) e de outros autores que viam no organismo o equivalente a uma máquina - máquinas, à medida que se aproximava a Revolução Industrial, tornavam-se mais e mais importantes. Mesmo que não se chegasse a exageros mecanicistas, o certo é que novas aproximações ao problema de saúde e doença se configuravam então. É nesta época que a quantificação entra na medicina, seguindo o dito de William Petty (1623-1687) segundo o qual o real é aquilo que pode ser quantificado. Isto valia tanto para populações como para o paciente individual: a avaliação da temperatura corporal já não dependia da sensação subjetiva do médico, mas do termômetro. Surgem os primeiros estudos de morbidade e mortalidade. A visão matemática do mundo encorajava uma visão secular do destino humano como resultado, diz Porter, não da vontade de Deus, mas do balanço das possibilidades (Porter, 1996, p. 376-377). Os médicos judeus que, como todos os outros, eram formados por universidades em que tais idéias eram ensinadas, a elas não podiam ficar indiferentes.

A relação entre judaísmo e revolução científica ainda é objeto de controvérsia. De um lado existem aqueles que vêem uma incompatibilidade lógica entre o "fixo" raciocínio rabínico e a mentalidade do cientista (Neusner, 1987, p.139-160). Esta opinião é corroborada, ao menos em parte, pelo testemunho do médico judeu-italiano Joseph Delmedigo, que viveu no século dezoito. Visitando as comunidades judaicas da Europa Oriental, fez o seguinte, e amargo, registro:

"O obscurantismo invade tudo, a ignorância é terrível. Há, por toda a parte, academias talmúdicas e casas de estudo, mas o próprio estudo talmúdico está decadente: as pessoas que o buscam só pensam em honrarias e vaidade (...). Não tem qualquer laivo de conhecimento científico. Detestam qualquer sabedoria. ‘Deus’, dizem, ‘não necessita de gramática, retórica, matemática, astronomia ou filosofia. Toda esta sabedoria profana foi inventada pelos gentios.’"

Ruderman, porém, sustenta que um importante ingrediente da cambiante cultura judaica foi a valorização da revolução científica. Para isto contribuiu a disseminação da informação através de livros e materiais impressos e o ingresso - apesar das restrições - de um crescente número de judeus nas universidades e escolas médicas, primeiro na Itália e depois no restante da Europa. Paralelamente a isto ocorria uma verdadeira crise ideológica no judaísmo. O papel dominante da filosofia na vida judaica era posto em questão. Durante a Idade Média a investigação da natureza estava ligada a um sistema teológico (judaico, cristão ou muçulmano), ou filosófico: o estudo do mundo físico era uma propedêutica à metafísica. Agora, as coisas mudavam: o progresso científico era um fim em si mesmo. A neutralidade pretendida pela ciência evitava, ou ao menos minimizava, os inevitáveis conflitos religiosos (Ruderman, 1993, p.10-11).

No início da modernidade não havia clara demarcação entre mentalidade científica e mentalidade pré-científica. Como mostrou Frances Yates num trabalho clássico, na Renascença freqüentemente confundiam-se química e alquimia, astronomia e astrologia, ciência e crenças mágicas (Yates, 1964, p.360-367). Esta superposição é visível nas idéias de Giordano Bruno, estudadas por Yates. Dominicano por formação, Bruno começou a contestar a Igreja quando adotou as idéias heliocêntricas de um Copérnico, adicionando um componente novo: para ele, todo o universo é vivo e como tal deve ser reverenciado. Esta "religião da natureza" levou Bruno à fogueira da Inquisição. Não era uma postura isolada; Paracelso também via uma correspondência entre o macrocosmo, o universo, e o microcosmo, o corpo humano, cada astro podendo influenciar um órgão. (Jacob, op.cit. p.30-35).

De qualquer forma, a ciência tornou-se objeto do ensino nas universidades criadas no fim da Idade Média, em Paris, Oxford, Montpellier e Bolonha. Cada universidade compunha-se de várias faculdades. Para os judeus, havia várias restrições ao ingresso nestas faculdades - restrições que encontravam sua contrapartida na aversão do estabelecimento religioso judaico ao aprendizado leigo. A educação deveria girar exclusivamente em torno ao estudo da lei religiosa. O resultado disto foi que, nesse início da era moderna, o judaísmo europeu não chegou a produzir figuras de vulto na ciência ou mesmo na filosofia (Ruderman, op.cit., p.50-51). Espinosa, que recebeu o rótulo de herético, é a exceção que confirma a regra.

As únicas faculdades em que os judeus eram aceitos eram as de medicina. E para elas acorreram em grande número. Por várias razões: em primeiro lugar, pela tradicional e já mencionada associação entre medicina e religião judaica. A isto se deve acrescentar o prestígio dos médicos judeus, e a sua impressionante presença no cenário europeu: no Languedoc, entre o décimo segundo e o décimo quinto séculos, mais de um terço dos doutores habilitados eram judeus (Ruderman, op.cit., p. 51). Por causa de seu prestígio, governantes cristãos e pessoas de posse auxiliavam-nos no estudo da medicina, especialmente na tradução de textos médicos. Com a introdução da imprensa, esta tarefa foi grandemente facilitada. Por último, mas não menos importante, a medicina representava, para o intelectual judeu, a porta de entrada para o mundo da ciência:

"De uma perspectiva mais ampla, pode-se observar a reestruturação do pensamento judaico neste período: a reavaliação do valor prático da investigação racional, a separação do mundo físico da metafísica e o estudo da natureza como separada e legítima esfera de conhecimento, coexistindo com a sapiência das tradições rabínica e cabalística." (Ruderman, op.cit., p.94).

Uma cidade se tornaria o principal centro da mentalidade científica (leia-se: médica) judaica: Pádua, cuja Faculdade de Medicina atraía grande número de jovens judeus de toda a Europa. A localização da cidade era privilegiada; junto a Veneza (que a governava desde o século quinze), beneficiava-se do intenso tráfico comercial e do clima cosmopolita da cidade dos doges. O que era particularmente benéfico para os judeus: mesmo tendo de pagar taxas mais altas do que outros alunos, ex-conversos da Espanha e Portugal, judeus italianos, turcos, alemães, poloneses podiam conviver com pessoas de variada procedência. Mais: tinham a oportunidade de iniciar-se nas artes liberais e no estudo do latim (por muito tempo a "língua franca" da cultura); e podiam também atualizar-se com recentes avanços nos campos da anatomia, química, botânica e medicina clínica. Entre 1617 e 1816 pelo menos 320 judeus receberam diplomas da universidade, sem mencionar aqueles que assistiam a cursos diversos; este número contrasta com os apenas 29 graduados do período entre 1520 e 1605 (Ruderman, op.cit., p.105). Joseph Delmedigo, citado acima, era um desses doutores.

Em que consistia o estudo da medicina? Durante os primeiros dois anos, os estudantes familiarizavam-se com lógica e com a filosofia da natureza, sobretudo através de Aristóteles. Depois, utilizando os textos de Hipócrates, Galeno, Avicena e Rhazes, entravam no aprendizado médico propriamente dito. O enfoque era, de início, basicamente teórico; o graduado receberia o título de doutor em medicina e filosofia. Mas já em 1594 começava a funcionar na universidade o anfiteatro de anatomia; foi criado depois um jardim botânico para o cultivo de ervas medicinas; e no século dezoito visitas ao hospital já faziam parte da rotina. Ou seja: o estudo foi se tornando progressivamente mais prático.

Dentro da comunidade judaica, não faltava quem visse com alarme esse crescente processo de assimilação cultural; Joseph Delmedigo, por exemplo, alertava contra isso (Ruderman, op.cit., p.111). Vários médicos tentaram conciliar sua prática com as prescrições da Torá e com a Cabala - caso do próprio Delmedigo. Havia eventualmente médicos-rabinos, como Isaac Lampronti (1679-1756), de Ferrara, conhecido entre seus contemporâneos como "médico-teólogo". Apesar disto, distanciavam-se cada vez mais ciência e religião, como o ilustra o seguinte episódio. Elijah Montalto, de Veneza, famoso médico e escritor, estava em seu leito de morte, e muitas pessoas foram visitá-lo, entre estes Rabi Yedidiah Galenti, chegado da Palestina. O rabino Galenti começou a falar dos milagres realizados pelo cabalista Isaac Luria. Ao que o agonizante teve um ataque de fúria: "Não posso ouvir essas coisas em silêncio. É mentira, falsidade. Não há mais profetas entre nós. Ou esse homem é um feiticeiro ou é um mentiroso, e não quero mais saber dessas histórias" (Ruderman, op.cit., p.123). Tudo isto mostra que uma identidade cultural judaica estava sendo forjada seguindo linhas estritamente culturais, científicas e profissionais. O inevitável ceticismo que decorre da prática científica - mesmo restrita como era à época - ajudava a minar as bases da escolástica e, no meio judaico, exigia a aplicação de critérios lógicos ao estudos das escrituras.

Se os religiosos judeus encaravam o pensamento médico com reservas, o mesmo não acontecia na sociedade como um todo, onde a reputação dos profissionais de origem judaica crescia sem cessar. Ilustra-o um episódio. Francisco de Valois, rei de França, adoeceu e os médicos da corte não conseguiam resolver seu problema. Pediu então a Carlos V, Imperador da Espanha que lhe mandasse um de seus médicos judeus. Carlos V mandou-lhe um doutor recém convertido. Quando Francisco descobriu que o profissional não era mais judeu, mandou-o embora; queria um médico que tivesse a "natural habilidade dos judeus para a cura." Ruderman transcreve a opinião do médico converso Juan Huarte de San Juan, autor da obra intitulada Examen de Ingenios para Sciencias, publicada em 1575, para quem esta habilidade nascia da experiência de sofrimento dos judeus (Ruderman, op.cit., p.286-288). Era uma habilidade apreciada, mas também encarada com desconfiança; o poder dos profissionais nas cortes caracterizava a figura de um medicus politicus, um doutor que podia influenciar reis e nobres. Isto só fez aumentar a perseguição contra os judeus. Neste sentido, havia uma correspondência entre o "médico da corte" e o "judeu da corte", este, o agente financeiro de reis, papas e nobres, encarregado de arrecadar impostos, de fazer empréstimos ao governo - enfim, de gerir as contas do reino, do principado, do ducado. O mais famoso foi Joseph Süss Oppenheimer (1698-1738), financista do duque de Würtemberg, homem que acumulou poder e fortuna. Quando finalmente caiu em desgraça, o "judeu Süss", como era conhecido, foi preso e exposto ao deboche dos populares numa gaiola suspensa em praça pública.

Mas a burguesia em ascensão mudaria esta conjuntura, com a criação de um clima de liberalismo econômico e político. Na França, pensadores como Rousseau, Montesquieu, Diderot, Condorcet, defendiam a idéia de igualdade civil para os judeus. Particularmente veemente foi Mirabeau, um dos arquitetos da Revolução Francesa, muito influenciado pelo filósofo judeu Moses Mendelssohn (avô do compositor), conhecido como o "Platão da Alemanha". Mendelssohn era o expoente maior da Haskalah ou Iluminismo, um movimento judaico de liberalização religiosa que era a contrapartida do movimento de liberalização na sociedade em geral. É preciso, dizia Mendelssohn, tirar os judeus do estreito labirinto da casuística ritual-teológica (ou seja, o Talmude) para lançá-los nas largas avenidas do pensamento moderno. A Revolução Francesa endossou estes propósitos liberalizantes. Na Assembléia Nacional, um grupo de deputados lutava pela emancipação judaica - desde que esta emancipação conduzisse à assimilação completa. "Para os judeus como seres humanos, tudo; para os judeus como povo, nada", era o lema pregado por um dos membros do grupo, o conde de Clermont-Tonerre. Moção concedendo direitos civis aos judeus foi aprovada por esmagadora maioria em 1791. Napoleão, com sua política de carrières ouvertes aux talents, apoiou esta abertura, que depois sofreu algum recuo, quando emendas ao Código Napoleônico restringiram as liberdades judaicas.

O resultado destas mudanças foi um afluxo ainda maior de judeus às faculdades de medicina. Na Universidade de Berlim nove por cento dos graduados de medicina em 1826 eram judeus. Em 1890, dezesseis por cento dos médicos alemães eram judeus, ainda que apenas 1,2 por cento da população fossem de origem judaica. Nem todos assumiam, ou podiam manter, a condição judaica; em muitas universidades o título de professor só era concedido a judeus se estes se convertesse. Nas universidades da Rússia czarista funcionava o numerus clausus, um sistema de quotas; no final do século dezenove, os judeus podiam representar até 10% dos estudantes universitários na região "judaica", mas só 3% em São Petersburgo. Na Inglaterra, até 1871, as universidades de Oxford e Cambridge só aceitavam anglicanos. Os judeus eram, contudo, aceitos nas universidades escocesas, particularmente Aberdeen (Schlich, 1995, p.137-148).

Simultaneamente a esta expansão médica começavam a surgir, nos séculos dezessete e dezoito, hospitais judaicos. Havia algumas razões religiosas para tal - o uso de alimentos próprios, o manejo do defunto de acordo com o ritual - mas, acima de tudo, o hospital judaico era uma instituição social e, sobretudo, médica; um lugar em que médicos e estudantes judeus, discriminados em outros nosocômios, podiam exercer suas atividades. Finalmente, muitos membros da comunidade judaica viam o hospital como uma forma de integração na sociedade em geral (Schlich, op.cit., p.156-157).

Os profissionais judeus agora ganhavam um prestígio que não se restringia às cortes, mas estendia-se ao ambiente científico e ao público em geral - na Europa, primeiro, e depois na América, para onde se registrou um movimento de emigração em massa a partir de meados do século dezenove. De início, restringiam-se a especialidades "menosprezadas" pelos médicos em geral tal como a psiquiatria e a dermatologia; depois passaram a se dedicar a todas as áreas da prática e da pesquisa médicas. Desde a introdução do Prêmio Nobel de Medicina, em 1899, até 1989, trinta e nove judeus receberam o galardão. Por país de origem e ano de recepção do prêmio, são eles(Brown, 1995, p.234): Paul Ehrlich (Alemanha, 1908), Elie Metchnikoff (Rússia, 1908), Robert Baranyi (Áustria, 1914), Otto Meyerhof (Alemanha, 1922), Karl Landsteiner (Áustria, 1930), Otto Warburg (Alemanha, 1931), Otto Loewi (Áustria, 1936), Joseph Erlanger (USA, 1944), Ernest Chain (Inglaterra, 1945), Herman Joseph Muller (USA, 1946), Tadeus Reichstein (Suiça, 1950), Selman A.Waksman (USA, 1952), Hans Adfolf Krebs (Inglaterra, 1953), Fritz Albert Lipman (USA, 1953), Joshua Lederberg (USA, 1958), Arthur Kornberg (USA, 1959), Konrad Bloch (USA, 1964), François Jacob (França, 1965), André Lwoff (França, 1965), George Wald (USA, 1967), Marshall W.Niremberg (USA, 1968), Salvador Luria (USA, 1969), Julius Axelrod (USA, 1970), Bernard Katz (Inglaterra, 1970), Gerald M.Edelman (USA, 1972), Howard Temin (USA, 1975), David Baltimore (USA, 1975), Baruch Blumberg (USA, 1976), Rosalyn Yalow (USA, 1977), Daniel Nathan (USA, 1978), Baruj Banecerraf (USA, 1980), Cesar Milstein (Inglaterra, 1984), Joseph Goldstein (USA, 1985), Michael S.Brown (USA, 1985), Stanley Cohen (USA, 1980), Rita Levi-Montalcini (USA, 1986), Gertrud Elion (USA, 1988), Harold Varmus (USA, 1989). A estes, outros nomes notáveis podem ser acrescentados, tais como o do anatomista e histologista alemão Friedrich Gustav Jakob Henle (1809-1885), o primeiro a estrutura anatômica que hoje leva seu nome, a alça de Henle; o fisiologista alemão Gabriel G. Valentin (1810-1883), que descreveu o gânglio de Valentin; o clínico e patologista alemão Ludwig Traube (1818-1876), que fez grandes contribuições à semiologia, entre elas a descrição do espaço de Traube; o fisiólogo alemão Moritz Schiff (1823-1896), pioneiro em estudos da tireóide; o anatomista alemão Leopold Auerbach (1827-1927), conhecido pela descrição do plexo nervoso que leva seu nome; o bacteriologista Ferdinand J. Cohn (1828-1898); o dermatólogo alemão Ferdinand von Hebra (1816-1880), que descreveu numerosas doenças de pele; o bacteriologista August Paul von Wassermann (1866-1925) introdutor de um teste para o diagnóstico da lues; o bacteriologista Albert L.S.Neisser (1855-1916), que descreveu o agente causador da gonorréia; o dermatologista Moritz Kohn Kaposi (1837-1902), que descreveu o sarcoma hoje conhecido por seu nome; o psiquiatra e criminalista italiano Cesare Lombroso (1836-1909); o bacteriologista norte-americano Simon Flexner (1863-1946) que identificou um dos agentes causais da disenteria bacilar; o microbiologista russo-americano Selman A.Waksman (1888-1973), introdutor da estreptomicina, e muitos outros (Landmann, op.cit, p.111-124). O trabalho destes médicos e cientistas em nada diferia do trabalho de médicos e cientistas não-judeus. Mas, como logo ser verá, uma especialidade receberia a indiscutível marca da tradição judaica: a psicanálise.

 
 
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