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Moreira, Marilda Maria da Silva. Trabalho, qualidade de vida e envelhecimento. [Mestrado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2000. 100 p.


Considerações Finais

Em nosso país, vivemos momentos de muitas conturbações. Os inúmeros problemas econômicos, financeiros e o desemprego desencadeiam uma grande instabilidade que se reflete sobre todo o corpo social. Dentre todos estes problemas, temos mais um de difícil solução que é a questão do idoso no Brasil.

Este segmento da população foi historicamente relegado a um segundo plano de propostas e de ações sociais, contudo, os gerontólogos e geriatras brasileiros vem, há pelo menos duas décadas, alertando para os problemas futuros que teremos com o aumento da população idosa no próximo milênio. Ou seja, iremos nas próximas duas décadas ser a sexta população mundial de idosos e este fato passa a ser uma "questão social" por diversos motivos: precisamos ter, em caráter de urgência, uma infra-estrutra básica de atendimento aos idosos que lhes garantam uma boa qualidade de vida e não apenas uma vida prolongada, uma sobrevida.

Hoje, pode-se dizer que as produções científicas, voltadas para a área de gerontologia, vem se preocupando em dar uma resposta satisfatória para a manutenção, aumento e garantia da qualidade de vida dos idosos. O intuito desta dissertação foi ir ao encontro desta preocupação, ao pensar sobre as relações existentes entre o trabalho e a qualidade de vida para as pessoas da terceira idade (procurando também entender o significado e a centralidade do trabalho em suas vidas).

A impressão inicial que podemos ter é a de que o trabalho é um bom meio para se alcançar a qualidade de vida na terceira idade, pois mantém a pessoa em atividade (seja ela física ou intelectual). Porém, três considerações devem necessariamente ser feitas.

A primeira, é que não é qualquer trabalho que gera bem-estar e aumento da qualidade de vida para as pessoas na terceira idade. Para ser sinônimo de bem-estar, deve ser prazeroso, não deve ser unicamente uma fonte de manutenção financeira para as pessoas. Os idosos que optam por continuar trabalhando em uma atividade que lhes dêem prazer, que lhes tragam bem-estar, sem dúvida possuem uma fonte interessante de aumento da sua qualidade de vida.

A segunda, é que o trabalho pode ter sido apontado por muitos entrevistados

como uma condição central de suas vidas, devido a inserção precoce destas pessoas no mercado. Com a infância e a adolescência forjadas pelo trabalho, passaram a fazer dele um grande referencial de suas vidas, a ponto de não conseguirem ver-se sem ele após a sua aposentadoria. Neste sentido, o trabalho passa a ter outro significado: é uma maneira que os idosos tem de sentirem-se "úteis" para a sua família e para a sociedade.

E finalmente, a terceira consideração, é que embora o trabalho possa realmente estar associado à qualidade de vida, ele não é a única alternativa. Algumas pessoas sequer permitiram-se ao longo da vida sentir outros prazeres (como os proporcionados, por exemplo, pela arte ou pelo lazer) porque tiveram suas vidas centradas exclusivamente no trabalho. É bom enfatizar que existem hoje alguns programas destinados às pessoas idosas que são de fácil acesso e que permitem a instrução, o divertimento, a socialização, o lazer, o desenvolvimento de habilidades manuais e artísticas, enfim, permitem que os idosos despertem para outras coisas que anteriormente sequer podiam imaginar fazer. Os grupos para a terceira idade, deste modo, assumem um compromisso importante para o aumento de bem-estar e, consequentemente, da qualidade de vida dos idosos.

Aliados a estes programas para a terceira idade, podemos ver também o trabalho de algumas empresas na preparação dos trabalhadores para a aposentadoria. Esta preparação é importante no sentido de que pode auxiliar a pessoa na reflexão sobre a sua vida após o desligamento do trabalho, bem como no planejamento, construção e viabilidade de novos projetos.

Para concluir, os projetos futuros de vida, são o que poderíamos chamar de um elemento fundamental para manter-se vivo. O fato de estarem planejando os novos rumos, caminhos e possibilidades para a sua vida faz com que os idosos possam sentir-se atuantes, plenos em sua capacidade de criação. Os projetos futuros estão ao alcance de qualquer pessoa, independe de estar ou não em determinada instituição, contudo, eles são bastante incentivados nos programas destinados às pessoas na terceira idade.

Independente dos programas, que tem como público alvo os idosos, cada um de nós também pode dar sua parcela de contribuição, pois todos temos condições de incentivar e apoiar o idoso que está ao nosso lado, para que ele mantenha vivas as suas faculdades e deseje desenvolver o seu potencial de planejamento e concretização dos seus desejos.

 
 
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