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Moreira, Marilda Maria da Silva. Trabalho, qualidade de vida e envelhecimento. [Mestrado] Fundação Oswaldo Cruz, Escola Nacional de Saúde Pública; 2000. 100 p.

Apresentação

A idéia de desenvolver um tema relacionado à terceira idade surgiu no cumprimento de uma disciplina da graduação na Escola de Serviço Social, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, no segundo semestre letivo de 1992. A continuidade desta temática culminou com a elaboração da monografia de final de curso, em 1995, que intitulou-se "A Terceira Idade e a Superação de Estereótipos Sociais", tendo como campo a enfermaria masculina do Hospital de Cardiologia de Laranjeiras, no Rio de Janeiro.

Já durante o Curso de Especialização em "Serviço Social e Saúde", oferecido pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, deu-se o segmento desta proposta, sob o título "Saúde e Qualidade de Vida na Terceira idade: um Estudo dos Aspectos Biopsicossociais e dos Programas Destinados a este Segmento da População Brasileira", em julho de 1998.

Através deste programa de mestrado, busquei, então, mais uma vez dar andamento aos estudos relativos ao envelhecimento, focando-o sob o prisma da saúde do trabalhador. A necessidade de relacionar a terceira idade à área da Saúde do Trabalhador surgiu nos campos de estágio do Hospital de Cardiologia de Laranjeiras. Neste local, percebi que muitos pacientes idosos enfatizavam o trabalho como condição central de suas vidas, a ponto de descrevê-las a partir das suas experiências profissionais. Além disso, algumas destas pessoas relacionavam diretamente o trabalho exaustivo, ao qual se submeteram durante longos anos, com a precariedade do seu estado de saúde atual.

Em virtude disso, surgiram então algumas especulações: qual seria a influência do trabalho na vida das pessoas; por que ele aparece como uma condição central; e de que forma o trabalho poderia afetar a qualidade de vida das pessoas na velhice.

Pensando nestas questões tracei um pressuposto: quanto piores (mais dilapidadoras, insalubres e inseguras) as condições de trabalho, pior seria a qualidade de vida dos indivíduos ao chegarem à terceira idade. Contudo, este pressuposto, corria o risco de tornar-se insuficiente, pois poderia conduzir à idéia de que as condições precárias de trabalho geram, necessariamente, uma qualidade de vida ruim na terceira idade. A idéia desta dissertação é justamente outra: a complexidade das relações sociais é tal que não pode ser polarizada, resumida a causa e efeito, a binômios do tipo: boas condições de trabalho resultam em uma boa qualidade de vida na velhice; ou o contrário, péssimas condições determinam uma qualidade de vida ruim.

Desta forma, procurei mostrar, através uma pesquisa de campo feita com homens (com idade acima dos 60 anos, aposentados) as diversidades existentes na complexa relação trabalho e qualidade de vida, atentando para alguns pontos importantes, tais como:

  • a centralidade do trabalho na vida das pessoas;
  • o trabalho como uma fonte de prazer e de desprazer;
  • o quanto o não-trabalho também pode gerar desprazer e alterar a qualidade de vida das pessoas.
  • o trabalho como gerador de qualidade de vida ou agravante da mesma.

Tendo em vista estes pontos descritos no item anterior, esta dissertação foi estruturada da seguinte maneira:

O capítulo introdutório revela a forma como este trabalho foi pensado – expõe o seu objeto, objetivos, a relevância do tema e a metodologia que foi trilhada.

O segundo capítulo aborda dois temas que estou designando como "preliminares". Ou seja, como trata-se de uma dissertação que fala de terceira idade e qualidade de vida, resolvi fazer um capítulo inicial explorando estes dois pontos, situando a questão da terceira idade e expondo algumas reflexões sobre o termo qualidade de vida. Tanto no item sobre terceira idade quanto no de qualidade de vida estão presentes a fala dos entrevistados sobre tais assuntos.

Já o terceiro capítulo mostra o significado do trabalho na vida das pessoas. Neste sentido, examino brevemente a evolução histórica pela qual passou o trabalho: do Taylorismo/Fordismo à maior valorização da subjetividade do trabalhador. Aqui também reservei um item referente aos depoimentos dos entrevistados, mostrando de que forma o trabalho aparece em suas vidas.

O quarto capítulo explora alguns eixos que surgiram, quando da análise das entrevistas com idosos aposentados, relativos à categoria trabalho. São eles: o prazer/desprazer proporcionado pelo trabalho ao longo de suas vidas; se pensam em voltar (ou se voltaram) a trabalhar e por quê; o significado da aposentadoria; e finalmente como relacionaram as categorias trabalho e saúde.

Por último, o quinto capítulo se configura como um fechamento desta dissertação. Sendo assim, tem como objetivo apontar algumas alternativas existentes para o aumento da qualidade de vida da população idosa, dentre elas: as Universidades para a Terceira Idade; os PPA (os programas de preparação para aposentadoria); e aquilo que denomino como "projetos futuros de vida".

 
 
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