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Fundação Oswaldo Cruz
Escola Nacional de Saúde Pública

"Aids na Marinha: vivendo o fim de uma carreira"
Ângela Fernandes Soares do Couto  Esher

Dissertação apresentada com vistas à obtenção do Título de Mestre

Orientador: Elizabeth Moreira dos Santos
Data de entrega: Junho de 1999

    RESUMO
    INTRODUÇÃO
    CAPÍTULO 1 - O PROBLEMA : AIDS, O PAÍS E OS MILITARES
    CAPÍTULO 2 - METODOLOGIA
    CAPÍTULO 3 - MILITARES: CORAGEM, DISCIPLINA E VIGOR FÍSICO
    CAPÍTULO 4 - VIVÊNCIAS
    CAPÍTULO 5 - CONCLUSÃO :HOMENS DE MARINHA ABORTADOS, PARASITAS PREVIDENCIÁRIOS OU CIDADÃOS INCIPIENTES ?
    CAPÍTULO 6 - BIBLIOGRAFIA

Resumo:
Esta dissertação tem como objetivo geral, compreender e discutir os efeitos do processo de afastamento e reforma pela infecção do HIV, nos militares da Marinha do Brasil. A manutenção da saúde dos militares aparece como preocupação permanente dentro das Forças Armadas, já que estes têm como função principal a defesa da nação em casos de instabilidade interna ou conservação da segurança externa, assim sendo, episódios de doenças são avaliados por normas rígidas que necessitam de constantes atualizações. O doente ou o portador de um atributo biológico negativo em relação à essa referência deve ser afastado do convívio coletivo. No caso específico da síndrome da imunodeficiência adquirida, torna-se difícil precisar a base do processo de estigmatização, pois ela se sustenta quase sempre, numa relação de ambigüidade entre o atributo biológico e o moral. A utilização das três dimensões (periculosidade, não-produtividade e culpabilidade) para caracterizar o estigma foi fundamental para localizar e discutir as questões importantes e polêmicas que perpassam por todo o processo de testagem, afastamento e reforma. A participação dos próprios militares afastados ou reformados como informantes foi fundamental para o aprofundamento desta discussão. Este trabalho revelou o quanto pode ser doloroso o fim de uma carreira pela presença de um vírus que pode levar muitos anos para modificar algo no estado de saúde de uma pessoa. A morte civil é anunciada a partir daí, ou seja, da proibição do exercício das atividades profissionais e da inviabilização do projeto de vida. Sob o argumento de preservação do vigor físico (e moral) da instituição, padrões rígidos são construídos com o objetivo de proteção da saúde de um determinado grupo, sem levar em conta o bem estar de todos os indivíduos. O estudo apontou, a partir das representações sociais dos militares infectados pelo HIV pertencentes à Marinha, a urgente necessidade de alteração das normas estabelecidas, num esforço para manter estas pessoas inseridas no sistema. Este trabalho se encerra na certeza de que o efetivo debate destas questões tem reflexo direto na garantia da cidadania das pessoas que vivem com HIV e aids.


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