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Fundação Oswaldo Cruz
Escola Nacional de Saúde Pública

"Vivências de violência em Vigário Geral: experiência de gerações"
Cynthia Ozon  Boghossian

Dissertação apresentada com vistas à obtenção do Título de Mestre.

Orientador: Otávio Cruz Neto
Data de entrega: Março de 1999

    RESUMO
    APRESENTAÇÃO
    CAPÍTULO 1 - REPRESENTAÇÕES SOCIAIS :DAS VIVÊNCIAS À EXPERIÊNCIA COMPARTILHADA POR GERAÇÕES
    CAPÍTULO 2 - VIVÊNCIAS DE VIOLÊNCIA
    CAPÍTULO 3 - EXPERIÊNCIA DE GERAÇÕES
    CONSIDERAÇÕES FINAIS
    ANEXO ROTEIRO DE ENTREVISTA
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Resumo:
Este estudo visa compreender as representações sociais de violência, em duas gerações de moradores da favela Parque Proletário de Vigário Geral, no Rio de Janeiro. Foi estruturado a partir de entrevistas com moradores jovens (16 a 23 anos) e adultos (50 a 59 anos) nas quais foram explorados temas como moradia, escola, trabalho, família e educação, em sua relação com a violência. Através de uma abordagem qualitativa, as vivências de violência destacadas foram articuladas à experiência das gerações. Com base nessa experiência percebeu-se que a situação de exclusão, que influencia nos deslocamentos geográficos e abrange os planos do trabalho, da escola e da moradia, agrava em muito os efeitos da violência ligada ao tráfico. As diversas manifestações da violência interferem pesadamente na saúde, gerando transtornos emocionais, reduzindo os cuidados básicos com o corpo e afetando as relações intergeracionais, o que se expressa em maus-tratos físicos, psicológicos e negligência. Num círculo vicioso, a debilitação da saúde condiciona-se à carência de serviços, de recursos básicos e de informação. Como resultado desse processo, o valor da vida e os projetos de futuro dos sujeitos encontram-se vinculados predominantemente à sobrevivência. As pistas de prevenção, apontadas pelos moradores, giraram em torno da melhoria das condições de trabalho e educação e da necessidade de apoio familiar, sendo este mediado pela "conversa". A qualidade e as formas de viabilizar este apoio foram problematizadas, diante da falta de diálogo e do predomínio da força na resolução dos conflitos. Formas de prevenção à violência e seus agravos foram aprofundadas em propostas mais específicas, como enfatizar a troca de experiência entre as gerações e dentro de grupos etários, uma maior capacitação dos profissionais das áreas de saúde e educação e a realização de intercâmbios entre rede escolar e rede de saúde, dentre outras, resultando numa nítida percepção de que a superação dos agravos ocasionados pela violência demandam a atenção de toda a sociedade e ações em vários níveis, sendo o campo da saúde pública espaço privilegiado para estas ações.


Palavras-chave:
violência; geração; saúde pública

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