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Fundação Oswaldo Cruz
Escola Nacional de Saúde Pública

"Saúde e nutrição na adolescência: o discurso sobre dietas na Revista Capricho"
Giane Moliari Amaral  Serra

Dissertação apresentada com vistas à obtenção do Título de Mestre.

Orientador: Elizabeth Moreira dos Santos
Data de entrega: Junho de 2001

    RESUMO
    INTRODUÇÃO
    CAPÍTULO 1 - PRÁTICAS E COMPORTAMENTO ALIMENTAR :SOCIEDADE, CULTURA E MÍDIA
    CAPÍTULO 2 - DISCURSO CIENTÍFICO E DISCURSO MIDIÁTICO
    CAPÍTULO 3 - MÍDIA E CONTRADIÇÕES DA ADOLESCÊNCIA :OBESIDADE E CORPO IDEAL
    CAPÍTULO 4 - CAPÍTULO IV A REVISTA CAPRICHO E A ANÁLISE DE DISCURSOS
    CAPÍTULO 5 - RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS DA ANÁLISE DA REVISTA CAPRICHO DE 1999
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Resumo:
Este trabalho procura analisar e compreender as estratégias discursivas adotadas pela mídia quanto às práticas alimentares de emagrecimento com a perspectiva de: contribuir para ampliar e aprofundar a discussão sobre a influência da mídia na formação de novos hábitos alimentares; contribuir para o atendimento de saúde mais integrado ao universo do adolescente; subsidiar a implementação de políticas públicas que visem regular a publicidade de alimentos, fiscalizar a produção de novos produtos alimentícios e seus rótulos. O veículo midiático analisado é a revista CAPRICHO, uma publicação direcionada a adolescentes do sexo feminino. A análise contemplou o ano de 1999 e enfocou os seguintes aspectos: quem fala; o que fala; para quem fala; quem é o intermediário; como o discurso se mostra, interage e seduz o público leitor. Além desses aspectos, foram considerados os pontos convergentes e divergentes entre o discurso midiático sobre práticas alimentares para emagrecimento e o que é preconizado pelo discurso da ciência da Nutrição. Os resultados da análise permitem afirmar que a mídia se apropria do discurso técnico-científico de forma a legitimar-se com o respaldo de entrevistas com especialistas no assunto. O discurso midiático utiliza estratégias de convencimento, persuasão e sedução, e pode influenciar o público leitor em relação às suas decisões, atitudes e comportamentos ligados à sua prática alimentar. A pesquisa aponta para significativos desencontros entre as modalidades discursivas da mídia e as da ciência da nutrição. São comuns matérias que preconizam a padronização de dietas (como se os indivíduos não tivessem diferenças entre si), veiculam dietas descomprometidas com o equilíbrio entre os nutrientes (inclusive com o respaldo de especialistas no assunto), estimulam o uso indiscriminado de produtos dietéticos e medicamentos inibidores de apetite, e encorajam uma excessiva prática desportiva. De modo geral, as conclusões ressaltam a importância da dimensão educativa dos profissionais de saúde e nutrição para o público adolescente, particularmente do sexo feminino. Informar e orientar adolescentes em relação aos seus hábitos alimentares é um desafio que se impõe àqueles que acreditam que o corpo pode e deve ser pensado em suas múltiplas dimensões, não se restringindo a padrões modulares estéticos.

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