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Fundação Oswaldo Cruz
Escola Nacional de Saúde Pública

"Avaliação de distúrbios mentais em moradores de albergues públicos das cidades do Rio de Janeiro e de Niterói"
Giovanni Marcos  Lovisi

Tese apresentada com vistas à obtenção do Título de Doutor

Orientador: Anastácio Ferreira Morgado
Data de entrega: Junho de 2000

    RESUMO
    INTRODUÇÃO
    CAPÍTULO 1 - O PROBLEMA NA DEFINIÇÃO E CONTAGEM DOS MORADORES DE RUA
    CAPÍTULO 2 - A RELAÇÃO ENTRE DESINSTITUCIONALIZAÇÃO PSIQUIÁTRICA E MORADORES DE RUA NOS EUA, NA INGLATERRA E NO BRASIL
    CAPÍTULO 3 - A RELAÇÃO ENTRE PSIQUIATRIA E A CONDIÇÃO DE MORADOR DE RUA
    CAPÍTULO 4 - ESTUDOS QUE AVALIARAM DISTÚRBIOS MENTAIS NOS MORADORES DE RUA
    CAPÍTULO 5 - OBJETIVOS E HIPÓTESE
    CAPÍTULO 6 - METODOLOGIA
    CAPÍTULO 7 - RESULTADOS
    CAPÍTULO 8 - DISCUSSÃO
    CAPÍTULO 9 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Resumo:
O principal objetivo desse estudo foi o de avaliar os distúrbios mentais e limitações no comportamento social em moradores de albergues públicos das cidades do Rio de janeiro e Niterói. A literatura da área, principalmente a dos meados da década de 80 dos EUA, sugeria que a alta proporção de doentes mentais graves entre a moradores de rua era conseqüência do processo de desinstitucionalização psiquiátrica. Entretanto, esse processo não levou aos mesmos resultados nos vários países que o instaurou, e a alta freqüência de distúrbios mentais nos moradores de rua poderia ser explicada por falhas metodológicas dos estudos realizados naquela época. No Brasil, essa relação não pode ser identificada principalmente por 2 motivos: 1- O processo de desinstitucionalização psiquiátrica ainda não está numa fase avançada como em outros países; 2- Há uma escassez de pesquisas sobre os moradores de rua em geral. O presente estudo utilizou o CIDI (Composite International Development Interview) para a avaliação dos distúrbios mentais e a SBS (Social Behaviour Scale) para a avaliação de comportamento social. A amostra foi selecionada aleatoriamente, constituída de 330 moradores. A grande maioria era de homens (75,8%), solteiros (78,9%), baixo nível educacional (94,7%), desempregados (72,9%) e com média de idade de 48,2 anos(desvio-padrão=14,4 anos). Cerca de 22,6% preencheram os requisitos para distúrbios mentais maiores por toda a vida; e 19,1% nos últimos 12 meses. Outros resultados incluem: esquizofrenia (10,7%), depressão maior (12,9%), déficit cognitivo grave (15%) e 44,2% de abuso/dependência de álcool. 23,9% tinha história de internação psiquiátrica prévia. Com relação a limitações do comportamento social, elas foram muito menos freqüentes em comparação aos relatados em pacientes internados em hospitais psiquiátricos. Os resultados encontrados foram muito menores do que aqueles alegados por alguns políticos e profissionais da área de Saúde Mental, que acreditam que a grande maioria dos moradores de rua seja composta por doentes mentais graves. Tal opiniãoaa baseava-se nos resultados dos estudos realizados até meados da década de 80 nos EUA. Apesar da freqüência dos distúrbios não ser tão alta quanto se acreditava, ela é maior do que na população em geral. Isso chama a atenção de que há uma parcela de moradores necessitando de cuidados psiquiátricos.


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